Blog Shri Yoga Devi
Bem vindos!!!
www.shri-yoga-devi.org
 
Postagens do Blog
+ 2013 / 2º semestre
+ 2013 / 1º semestre
+ 2012 / 2º semestre
+ 2012 / 1º semestre
+ 2011 / 2º semestre
+ 2011 / 1º semestre
+ 2010 / 2º semestre 
+ 2010 / 1º semestre
+ 2009 / 2º semestre
 
EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

Novo texto:

Kularnava Tantra

Tradução completa para o português, por Karen de Witt

Todos os meses colocamos à disposição de nossos leitores novos textos, na biblioteca virtual de textos de nosso site. Neste mês, apresentamos uma tradução completa para o português do Kularnava Tantra.

O Kularnava Tantra é provavelmente o mais importante texto adotado pela escola tântrica Kaula. É citado constantemente como uma autoridade, na literatura tântrica. Essa obra foi publicada em sânscrito por Arthur Avalon (pseudônimo de Sir John Woodroffe), em 1916. O texto era acompanhado por uma Introdução, pelo próprio Sir John Woodroffe; e por um resumo da obra, em inglês, por Madhav Pundalik Pandit, em 11 capítulos. Essas duas partes em inglês foram traduzidas para o espanhol e já haviam sido disponibilizadas no nosso site:
Descrição do Kularnava Tantra em espanhol 

Não se trata, portanto, do Kularnava Tantra completo em si mesmo, mas de uma descrição sobre o seu conteúdo. A análise feita por Madhav Pundalik Pandit omite os detalhes técnicos, mas procura preservar o significado original das doutrinas expostas na obra. 

Kularnava Tantra em inglês - capa

Somente na década de 1990 apareceu a primeira tradução completa desta obra: Kularnava Tantra (Sanskrit text with English translation), traduzido por Ram Kumar Rai e publicado por Prachya Prakashan. Foi a partir dessa versão completa em inglês que Karen de Witt realizou sua tradução para o português, que apresentamos aqui.

Reproduzimos abaixo a introdução geral que já havia sido divulgada juntamente com a tradução para o espanhol, citada acima.

Kularnava Tantra, traduzido por Ram Kumar Rai

O Kularnava Tantra prescreve os modos pelos quais um adepto do Kaula deve se preparar para a busca espiritual mais elevada. Aborda aspectos de ética, religião, filosofia e yoga, orientando o praticante através de rituais, repetição (japa), mantras e práticas devocionais. Discute também que tipo de pessoa está preparada para seguir o caminho do Tantra, assim como os requisitos e a responsabilidade do guia espiritual (guru). 

A corrente específica de tantrismo associada ao Kularnava Tantra é chamada de Kaula ou Kula. Mais especificamente, esse texto está associado à corrente Kaula do Sul da Índia, em Kerala, que adota como principais escrituras: Kularnava Tantra, Mahanirvana Tantra, Tantraloka, Sakthi Tantra e Tantra Manchiri. O Mahanirvana Tantra, que foi totalmente traduzido para o inglês por Arthur Avalon (Sir John Woodroffe), é a mais conhecida dessas escrituras. Veja informações sobre essa obra, e link para sua tradução nesta página.

Mahanirvana Tantra - inglês - capa

A palavra sânscrita “kula” significa grupo ou família. No âmbito filosófico, representa uma unidade espiritual. Quando adotada no contexto tântrico, costuma ser interpretada como o grupo de praticantes, a família espiritual formada por eles. Alguns autores interpretam “kula” como a unidade subjacente a todos os seres do universo, que pode ser identificada com Shiva ou com a Grande Deusa indiana. 

Os líderes das seitas Kaula recomendam aos seus adeptos que ultrapassem os tabus e as regras sociais, como um meio para atingir a libertação espiritual. Outras correntes tântricas, como o Shaivismo de Kashmira, são mais moderadas, recomendando o respeito às normas éticas e sociais. 

Kula (família ou grupo) tântrico

Apresentaremos a seguir alguns dos conceitos básicos da tradição Kaula: os de pureza, sacrifício, liberdade, guru e coração. 

Nessa tradição, nenhum objeto ou atividade é considerado impuro em si mesmo. A pureza ou impureza de qualquer depende da atitude da pessoa. A única impureza absoluta é a ignorância, e o conhecimento é puro. Assim, uma obra tântrica (Tantraloka) recomenda: “Neste sacrifício, o sábio deve utilizar os próprios ingredientes que são proibidos nas escrituras. Ele fica imerso no néctar da mão esquerda.” Tudo se torna puro quando a pessoa se identifica com a consciência suprema. O praticante não é afetado pelas impurezas externas, e faz uso daquilo que costuma ser proibido ou criticado, para atingir a transcendência. É esse aspecto que torna anti-social ou anti-ético o Tantra da mão esquerda (que inclui a tradição Kaula). 

Praticante do Kaula Tantra, de Kerala

Os rituais ou sacrifício (yajña) realizados na tradição Kaula são definidos primariamente como atos internos, com o propósito de evocar a realidade suprema. No entanto, se o sacrifício fosse realizado apenas internamente, isso caracterizaria um dualismo ou limitação. Por isso, os praticantes Kaula também realizam rituais simbólicos externos que dão apoio à prática interna. Nesses sacrifícios são utilizados principalmente seis suportes ou ajudas: a realidade externa; o(a) companheiro(a) ou parceiro(a); o corpo; o canal energético central (sushumna); a mente; e a Grande Deusa, Shakti. 

Tantra e o corpo sutil

Todo o discurso dos textos Kaula enfatiza a idéia de liberdade, auto-suficiência, quebra de vínculos, libertação. Sob o ponto de vista social, o praticante do Kaula se desliga da sociedade, adotando a família espiritual do seu guru. O abandono das conexões sociais tem por objetivo ajudar a produzir a liberdade mental interna e a superação das limitações do ego, assim como a liberação dos preconceitos culturais e das regras sociais. No nível ético, há uma liberdade pelo abandono das regras a respeito do que é considerado puro ou impuro. No nível energético, a liberdade é atingida pelo despertar da Kundalini com a utilização de asana, pranayama, mudra e mantras. A energia vital é sublimada para produzir a elevação da consciência. 

A consciência tântrica, no coração do praticante

A culminação esperada desse processo é a iluminação espiritual, pela revelação da unidade entre o eu individual e a divindade, um estado descrito como atma-vyapti, ou reabsorção no verdadeiro eu (atman). Também é denominado Shiva-vyapti, ou reabsorção na consciência suprema de Shiva. Essa iluminação traz, segundo a tradição Kaula, a libertação da necessidade de renascer. A consciência se expande ao nível da realidade pura, além do tempo e do espaço, onde não há limites para a sabedoria, onde se encontra uma felicidade completa. 

O caminho da prática tântrica é conduzido por um Guru. O discípulo deve se entregar ao seu mestre ou guru, aceitando suas orientações e conectando-se a ele de uma forma profunda. Através dessa conexão, que envolve um vínculo afetivo e uma grande confiança, os discípulos partilham das vivências do guru, ligam-se diretamente ao coração iluminado do mestre e assim aprendem a atingir o estado mais elevado de consciência. O guru e o discípulo formam uma única pessoa, através dessa conexão. Como uma vela que se acende a tocar a chama de outra vela, a revelação do eu supremo passa do guru ao discípulo diretamente, não através de palavras ou práticas externas, mas pela transferência direta do poder ou Shakti. 

guru tântrico

Baseando-se na filosofia Sankhya, a doutrina Kaula considera que o eu individual (aham) é constituído por oito elementos: os cinco sentidos, a mente (manas), o ego (ahamkara) e a sabedoria (buddhi). O coração é o centro no qual esses oito elementos são unificados formando um Kula, e onde se encontra a realidade mais sagrada, onde a pessoa encontra a consciência (Cit) e a beatitude (Ananda). Este é o lugar onde se unem Shiva e Shakti. 

´Shiva e Parvati

Um dos métodos mais importantes para obter a liberdade é deslocar a consciência para o coração, que se torna o centro do ser, em uma prática denominada Kechari Mudra. Essa prática significa, na doutrina Kaula, a habilidade da consciência de se mover livremente (charati) dentro do espaço (kha) do coração. Identificando-se com a consciência pura, o praticante reconhece Shiva como a realidade suprema. As práticas relacionadas à consciência são explicadas em textos como Vijñana Bhairava Tantra, Spanda Karikas e Shiva Sutras.

Como outras escolas tântricas, a doutrina Kaula adota uma atitude de aceitar todo tipo de ação como válida para a transformação espiritual. Assim, a sexualidade, o amor, a vida social e as artes podem ser considerados como veículos espirituais. Tudo o que é agradável, praseiroso, pode ser integrado à prática tântrica. No entanto, a finalidade não é o prazer em si mesmo, mas a utilização de caminhos agradáveis para a transformação espiritual. 

Entre as práticas utilizadas na linha Kaula estão as trocas de energia na família espiritual (Kula), os rituais de iniciação, os ritos sexuais, as práticas de alquimia espiritual de transformação dentro do próprio corpo, o controle da energia (Shakti) através de práticas físicas, mantras e fonemas místicos, e os exercícios com a consciência.

Shakti e Shiva

O Kularnava Tantra é uma das obras fundamentais sobre a tradição Kaula. O texto em sânscrito acompanhado de uma tradução completa para o inglês do Kularnava Tantra foi elaborado por Ram Kumar Rai e publicado em 1999. A tradução para o português, aqui apresentada, foi feita por Karen de Witt a partir dessa versão em inglês. 

Karen de Witt é especializada em astrologia indiana tradicional (Jyotisha), tendo estudado a astrologia védica no Sri Jagannath Center, em Nova Delhi. Mais informações sobre a tradutora podem ser encontradas nos links abaixo:
https://www.facebook.com/karendewitt.rj
http://sriganesa.blogspot.com.br

Você pode fazer o download desta obra na biblioteca virtual de textos de nosso site.

separador


Espaço de yoga Shri Yoga Devi
Campina Grande, Paraíba
http://www.shri-yoga-devi.org/

...
FaceBook link
.