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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

Texto do mês:
"Ashtavakra Gita"

Todos os meses colocamos à disposição de nossos leitores novos textos, na biblioteca virtual de textos de nosso site. Neste mês, apresentamos uma tradução completa, para o espanhol, de um importante texto do Advaita Vedanta: o Ashtavakra Gita.

O Ashtavakra Gita (Aṣṭāvakra Gītā), ou “Cântico de Ashtavakra”, também chamado Ashtavakra Samhita (compilação de Ashtavakra), é um texto que apresenta um diálogo filosófico entre o jovem mestre Ashtavakra e o rei Janaka de Mithila, ou Janaka de Videha. 

Ashtavakra Gita

Esse texto trata sobre o Eu supremo (Atman) e sobre o modo de vivenciá-lo. É um texto de grande importância dentro da doutrina Advaita Vedanta (escola filosófica não-dualista), mas também muito importante para a compreensão da base espiritual do Yoga, considerado como uma união com o Absoluto. Não é um texto devocional e o leitor não deve esperar encontrar muita semelhança entre ele e o Bhagavad Gita. O Ashtavakra Gita enfatiza a irrealidade do mundo externo e a realidade única do Absoluto, que é o Eu interno. Não menciona deveres nem moralidade, apresentando um único objetivo: a libertação.

Não se conhece o autor nem a data em que esse texto foi escrito. Costuma-se considerar que ele é do século V antes da era cristã.

Um dos personagens desta obra é Janaka, rei de Videha (ou de Mithila, que era a capital do reino). Videha ficaria no norte da Índia, na margem do Ganges e perto do Himalaia. Na tradição indiana existem muitos reis com este nome, que aparecem nas Upanishads, no Mahabharata e no Ramayana. O nome Janaka se refere mais propriamente a uma dinastia do que a uma única pesoa. No Ramayana, o principal rei Janaka é o pai de Sita, que se tornou a esposa de Rama, encarnação de Vishnu.

Rama e Sita, com o rei Janaka ao fundo

Ashtavakra (Aṣṭāvakra) é um sábio mencionado em diversas escrituras hindus, como o Mahabharata e o Tripura Rahasya. Seu nome significa "com oito deformidades", e as histórias sobre seu nascimento indicam que ele nasceu com oito defeitos físicos: nos dois pés, dois joelhos, duas mãos, peito e cabeça. A lenda sobre Asthavakra é descrita detalhadamente no “Vana Parna” do Mahabharata (capítulos 132, 133 e 134).

Segundo essa versão, o sábio Uddalaka ensinava os Vedas e tinha entre seus discípulos um jovem chamado Kahoda, a quem concedeu a mão de sua filha Sujata. Um dia, quando Sujata estava grávida, Kahoda estava recitando os Vedas e a criança dentro do seu ventre se comunicou com o pai e lhe disse que ele estava pronunciando os versos de forma errada. Kahoda amaldiçoou o filho, dizendo que iria nascer com oito deformidades, e isso de fato aconteceu.

O sábio Ashtavakra

Porém, antes do nascimento do seu filho, Kahoda foi ao palácio do rei Janaka e participou de um debate com o sábio Vandin, que o derrotou. Como castigo, Kahoda foi afogado. Ashtavakra foi criado por seu avô Uddalaka como se fosse seu próprio filho e somente quando tinha 12 anos de idade soube da verdade. Resolveu então vingar seu pai, desafiando Vandin. Ashtavakra e seu primo Shvetaketu foram até o palácio de Janaka e tiveram dificuldades em entrar, porque eram crianças; mas depois que mostra seu conhecimento, deixam que ele entre.

Janaka testa os conhecimentos do garoto e depois permite que ele enfrente Vandin. A disputa entre eles consiste em compor versos que apresentam os significados sagrados dos diversos números, começando pelo um. Vandin começa, depois Ashtavakra cria versos sobre o número dois, e assim por diante. Quando Vandin chega ao número treze, ele é incapaz de fazer uma estrofe completa. Ashtavakra termina os versos, e assim vence o desafio.

O garoto exige então que Vandin receba o mesmo tratamento que dava àqueles que eram derrotados, ou seja, que fosse afogado. Mas, então, Vandin revela que era o filho de Varuna (a divindade das águas), e que tinha sido encarregado por essa divindade de selecionar sábios e enviá-los para as águas; mas que agora o sacrifício estava completo, e esses sábios podiam ser liberados. Varuna então deixa que todos os sábios que haviam sido derrotados por Vandin (incluindo Kahoda) saiam das águas. Kahoda ficou muito feliz com seu filho e, retornando à sua antiga casa, pediu que Ashtavakra se banhasse no rio Samanga. Quando entrou no rio, todas as deformidades do garoto desapareceram.

Ashtavakra Gita

O Ashtavakra Gita não se refere a essa história, mas envolve os dois personagens: Janaka e Ashtavakra. A obra tem 20 capítulos, cujo resumo é apresentado abaixo.

Capítulo 1 - O rei Janaka pergunta a Ashtavakra como obter a sabedoria, o desapego e a libetação. Ashtavakra lhe responde mostrando a diferença entre a realidade espiritual e a ilusão da mente e do mundo, explicando as características do Eu eterno
Capítulo 2 - Escutando as palavras de Ashtavakra, o rei Janaka tem uma vivência de sua verdadeira natureza e descreve a alegria que encontra por ter atingido esse novo conhecimento
Capítulo 3 - Ashtavakra fica contente com o resultado obtido por Janaka, mas nota algumas falhas, e apresenta alguns versos provocativos a respeito do apego aos prazeres mundanos, descrevendo o estado daquele que atingiu a realização
Capítulo 4 - O rei Janaka descreve a glória da sabedoria (jñana) e o estado de realização do Eu
Capítulo 5 - Ashtavakra explica quatro caminhos para a disolução dos pensamentos a respeito do mundo, de seus objetos e das experiências do mundo, que são todas irreais, estimulando o rei Janaka a obter uma percepção equilibrada e a se dissolver no Eu
Capítulo 6 - O rei Janaka responde com versos semelhantes, afirmando que já atingiu a unidade, percebendo que o Eu é a base de tudo
Capítulo 7 - O rei Janaka continua, descrevendo seu estado iluminado de realização do Eu, no qual se percebe apenas a unidade e assim as aparências do universo não criam obstáculos
Capítulo 8 - Ashtavakra nota que o rei Janaka ainda utiliza muito a palavra "eu" e o instrui sobre o desapego e a libertação
Capítulo 9 - Ashtavakra continua a descrever o modo de obter o desapego, livrando-se das dualidades e destruindo os resíduos (vasanas) para poder ultrapassar o mundo ilusório
Capítulo 10 - Ashtavakra apresenta o desejo como uma loucura, por mais elevado ou sutil que seja, estimulando Janaka a deixar de lado a busca não apenas do prazer e das riquezas mas até mesmo da conduta virtuosa, permanecendo em uma felicidade contínua

Ashtavakra Gita

Capítulo 11 - Ashtavakra continua a afirmar a importância de obter a sabedoria através da ausência de desejo, libertando-se dos pensamentos que são a causa do sofrimento; apenas aquele que permanece firme no Atman desfruta da beatitude
Capítulo 12 - O rei Janaka descreve o estado de tranquilidade, residindo no Eu, totalmente livre do desejo de agir, no qual se encontra
Capítulo 13 - O rei Janaka afirma que realmente atingiu a felicidade pura, livre de pensamentos dualistas, atingindo o seu estado natural
Capítulo 14 - Janaka atinge um estado no qual obtém uma indiferença a tudo e afirma que ninguém pode compreender o modo de agir de um sábio que vagueia pelo mundo totalmente livre, com a mente vazia de pensamentos, sem desejos, ancorado firmemente na consciência do Ser
Capítulo 15 - Ashtavakra enfatiza a falta de importância do pensamento e do mundo criado pelo pensamento
Capítulo 16 - Ashtavakra ataca a futilidade do esforço pelo conhecimento externo (o não-Eu), e fala sobre o estado de beatitude, sem consciência de objetos, sem desejos ou aversões
Capítulo 17 - Ashtavakra descreve a natureza daquele que está realmente liberto, que está sempre consciente do Eu e desfruta de beatitude constante
Capítulo 18 - Em cem versos, Ashtavakra descreve a natureza da pura não-dualidade, que é um estado inato do ser, embora as pessoas permaneçam normalmente presas às ilusões do mundo
Capítulo 19 - Janaka consegue abandonar a identificação com sua pessoa individual e libertar-se do contato com a ilusão do mundo, declarando que nada mais existe além do Eu
Capítulo 20 - Em uma sequência de perguntas que apenas mostra que elas são vazias, Janaka dissolve os últimos vestígios de sua personalidade e entra na dissolução, identificando-se com o Absoluto, concluindo por fim que nada mais pode ser dito.

Asceta

Apresentamos na nossa Biblioteca Virtual de Textos a tradução completa, para o espanhol, desta escritura indiana. Não foi possível determinar quem foi o autor da tradução.

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