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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

LIVRO DO MÊS:

"Lecciones espirituales"
Swami Sivananda

Este é um livro introdutório sobre Yoga e vida espiritual. Foi escrito por Swami Sivananda (1887-1963) para pessoas que estão imersas em atividades de trabalho, e não para pessoas que tenham abandonado a vida social para se dedicar apenas à busca da iluminação. Assim, esta obra procura conciliar a vida prática com uma dedicação ao trabalho espiritual. 

livro Spiritual Lessons, de Swami Sivananda

É uma obra introdutória, ou seja, não aprofunda cada um dos temas abordados, mas procura dar uma visão ampla e segura a respeito dos principais conceitos relativos à caminhada espiritual e aos diversos aspectos do Yoga, visto como um processo de transformação pessoal. Não há explicações detalhadas sobre posturas e práticas de respiração, por exemplo. Há muito mais ênfase em outros aspectos, que fazem parte do dia-a-dia de pessoas que seguem a tradição Hindu de busca espiritual.

Este livro foi escrito por Swami Sivananda na década de 1930. Primeiramente, suas várias partes foram publicadas sob a forma de artigos em revistas indianas. Depois, ele reuniu os primeiros 500 parágrafos em um livro chamado "Spiritual Lessons", publicado em 1934; um segundo conjunto contendo outros 500 parágrafos foi publicado em 1935; e em 1939 reuniu as duas partes como um só livro. É esta versão completa, juntamente com alguns apêndices, que é publicada aqui.

Swami Sivananda escrevendo
Swami Sivananda escrevendo

O aspecto eminentemente prático desta obra pode ser percebido, por exemplo, pelo Apêndice C, que sugere uma rotina espiritual diária para pessoas que trabalham. Swami Sivananda se baseou em um horário de trabalho das 10 da manhã às 17 horas (típico da cultura inglesa). Recomendou que a pessoa acordasse às 4 da manhã, dedicando-se primeiramente a práticas de meditação e repetição de mantras durante duas horas. Depois, mais uma hora de posturas (asanas) e exercícios de respiração (pranayama). Depois de um pequeno repouso, mais meia hora de leitura de textos espirituais indianos tradicionais. Depois a pessoa se dedicaria durante duas horas a atividades práticas, tomaria seu café da manhã, conversaria, e iria trabalhar. Ao regressar do trabalho, dedicaria duas horas a atividades leves, como refeição, caminhada, conversas, mas das 19 às 20 horas realizaria práticas de meditação, e das 21 às 22 horas estudo de livros filosóficos. Ou seja: Swami Sivananda propõe uma mudança de estilo de vida, em que grande parte do dia passa a ser dedicado ao desenvolvimento espiritual da pessoa.

Swami Sivananda recitando mantras

A tradução para o espanhol do livro Spiritual Lessons, de Swami Sivananda, que apresentamos aqui, foi feita por uma pessoa que preferiu não se identificar. O texto está também disponível (sem esta introdução), em formato HTML, no site da Divine Life Society no seguinte endereço:
www.dlshq.org/spanish/lecciones_espirituales_sp.htm

Você pode fazer o download do livro completo em espanhol, com esta introdução em português, na nossa Biblioteca Virtual de textos.


Sobre o autor:

Apresentamos a seguir algumas informações sobre Swami Sivananda. O texto a seguir foi escrito por Narayan (Tiago Bastos) e Shivani (Carol Oliveira).

Swami Sivananda, Guru

Atualmente qualquer aspirante dedicado ao caminho de yoga irá se deparar com os ensinamentos de Sri Swami Sivananda. Seus seguidores o consideram um grande santo e o maior yogue da era moderna, afirmando que foi através dele que o mundo ocidental teve como receber a verdadeira herança do que realmente é o yoga. 

Swami Sivananda

Swami Sivananda apareceu nesse mundo em 08 de setembro de 1887, de ilustre família do sul da Índia, abastada e tradicionalmente religiosa.

Foi uma criança encantadora, inteligente, sempre alegre. Cresceu num ambiente de amor, paz e grande devoção espiritual. Seu pai era um oficial do governo indiano e brâmane. Todos os dias o pequeno Kuppuswami (seu nome original) auxiliava seu pai em seu puja diário a Shiva. Sua família descende dia santos e sábios entre eles Appaya Dikshitar, célebre expoente das filosofias Vedanta e Shaivasidanta.

Em sua adolescência, o gosto por atividades físicas levou-o a procurar um mestre de artes marciais. Kuppuswami o honrava com grande devoção, trazendo-lhe guirlandas de flores e reconhecendo-o como seu primeiro guru, mas foi obrigado a manter essa relação em segredo pois sendo o guru uma pessoa pertencente a uma casta inferior, seria mal visto pela tradicional sociedade indiana.

Na juventude, optou por estudar medicina como meio de estar em maior contato com sofrimento humano e a ela dedicou-se de todo coração. Na universidade foi um aluno brilhante sendo convidado por seus professores a participar de atividades que somente os alunos de anos superiores poderiam participar. Ao deixar a faculdade, diplomado, exerceu as mais variadas atividades relacionadas com sua profissão, na Índia. 

Sivananda, quando era médico na Malásia
Kuppuswami, quando médico, na Malásia

Finalmente, sentiu-se atraído pela Malásia e para lá seguiu com entusiasmo para dirigir um hospital que tratava dos trabalhadores dos seringais desse país. Assumiu suas atividades no hospital onde serviu de todas as formas que se fizessem necessárias, jamais recusando ou sentindo que qualquer tarefa estava abaixo de sua dignidade. Sua vida era muito simples e inúmeras são muitas as histórias que nos chegam contadas por seus discípulos. Ninguém saia de sua casa sem receber um presente ou uma ajuda da forma mais adequada, pois dar é a sua segunda natureza. O atendimento médico dispensado por ele era de uma natureza muito especial pois além dos tratamentos convencionais em casos mais graves, ele era capaz de passar toda a noite ao lado do leito do paciente entoando bhajans (cantos devocionais ).

Em sua vida privada, o doutor Kuppuswami tinha todos os confortos que a profissão permitira. Conta-se que o seu cozinheiro era tratado em pé de igualdade com seu jovem patrão, que o fazia sentar-se a mesa com ele e servia-lhe os melhores pratos.

Aos poucos, o jovem médico foi se tornando introspectivo, dedicando maior tempo ao estudo da Guita e a prática do Yoga. Regularmente, como é de bom costume na tradição védica, Kuppuswami gostava de receber visitantes em sua residência, fazendo jus ao mantra: Athiti devo bhava (“o hóspede é tratado como divindade”). Muitos destes eram sadhus ou monges itinerantes, que em troca de hospedagem concediam bênçãos e ensinamentos ao anfitrião. 

Swami Sivananda

Nessa época conheceu vários asanas e pranayamas por livros ou breves instruções recebidas de seus hóspedes. Porém uma dessas visitas viria a marcar a sua vida definitivamente. O sadhu em questão era um swami que lhe deixou um livro que tratava do Advaita Vedanta, ou conceito não dual da realidade absoluta, que o levou a questionar seu propósito de vida. No auge de sua carreira, perdeu a atração pelas coisas que o rodeavam, considerando que mesmo a sua vocação médica era limitada em relação ao tipo de serviço que ele almejava proporcionar à humanidade. Ele pensava "Estou curando as pessoas fisicamente, mas como posso curá-las espiritualmente?”. Chegou à conclusão que deveria renunciar a tudo e sair à procura da divindade, da Divina morada da bem aventurança. Horas depois de tomar essa resolução subia a bordo do navio que o levaria de volta a Índia.

Ao chegar a sua cidade natal, contratou carregadores para transportar seus pertences para a casa de seus parentes. Na porta de sua casa foi recebido por seus familiares que, radiantes de alegria davam-lhe as boas vindas, enquanto os empregados descarregavam a bagagem. De repente no meio de toda aquela euforia e felicidade, ele desapareceu misteriosamente. A princípio seus familiares julgaram que ele tivesse ido procurar um amigo e esperaram e esperaram. Quando passado longo tempo e ele não regressou saíram todos a sua procura – em vão – e a família ficou mergulhada em grande pesar.

É que o doutor Kuppuswami havia renunciado a tudo e adotado a vida de monge medicante – só, sem posses, tendo a divindade como único companheiro iniciou sua grande jornada a pé. Assim percorreu quase toda a Índia, seguindo a risca as recomendações tradicionais de nunca ficar mais de três dias em cada localidade, alimentando-se somente de esmolas. Era ele um homem muito alto de pele clara para o padrão indiano. Sendo ele de elevada e refinada educação conta-se que ao chegar às casas para pedir comida, os moradores se admiravam de sua educação e gentileza convidando-o a fazer sua refeição juntamente com a família a mesa. Ao chegar a cidade de Varanasi, teve uma visão mística na qual a própria divindade Shiva o instruiu a prosseguir sua peregrinação rumo ao norte, próximo ao Himalaia. Assim percorreu todo seu caminho não desanimando a despeito das dificuldades e privações mantendo sempre humilde e firme no caminho que escolheu.

Chegou finalmente a Rishkesh no início dos anos 20, imediatamente sentindo-se em casa, sabendo que ai era o lugar onde desenvolveria seu sadhana (prática espiritual). Foi ao banhar-se nas águas do rio Ganges que teve o encontro mágico com seu Guru, Swami Vishwananda Saraswati, um velho e respeitável renunciante que imediatamente reconheceu no jovem aspirante o potencial de um grande yogue. No dia primeiro de junho de 1924, havendo ficado apenas 2 horas com seu mestre, foi iniciado em sanyas recebendo o nome iniciático de Swami Sivandanda, dentro da ordem Saraswati de Shankaracharya. Com total diligência e fé nos ensinamentos recebidos Swami Sivananda iniciou o que seriam anos de intensa prática e realizações. 

Swami Sivananda

Sivananda passava a maior parte do tempo absorto entre horas de meditação, estudo intenso e vigorosa prática de Hatha Yoga. Mantinha sempre um diário consigo onde anotava toda sua rotina espiritual e experiências. Assim, logo começou a escrever pequenos panfletos que dava algum jeito para imprimir e distribuir. Embora devotado ao seu próprio caminho de auto-realização nunca deixou de atender as pessoas necessitadas de seus cuidados médicos. Conta-se que fazia questão de silenciosamente atender um campo de leprosos, que mesmos os médicos locais temiam visitar.

Num glorioso dia de 1930 realizou o Ser e tornou-se iluminado. Depois disso, como ele mesmo nos conta em “O que me ensinou a vida”, sentiu que deveria compartilhar com o resto da humanidade a sua maravilhosa experiência. Começou escrevendo na forma de instruções para os discípulos que já iam aparecendo, sua nova visão e perspectiva da vida. Em 1934, encontrou um casebre em ruinas e decidiu ali começar a instalar seu próprio ashram ao qual deu o nome de Ananda Kutir (morada da bem aventurança). Na época, sua reputação de jivanmukta (yogue liberado enquanto vivo) já se espalhava pela Índia, onde seus panfletos ou relatos de pessoas que o haviam encontrado chegassem. 

Sivananda tratando um Sadhu

Seguia seu trabalho de forma silenciosa e potente. Aos poucos que chegavam para receber suas instruções diretas impunha disciplina e condições espartanas, filtrando um grande número de curiosos. Swami Sivandanda inspirava seus estudante por força de seu próprio exemplo pessoal.

Em 1936 foi inaugurada a Divine Life Society (Sociedade da Vida Divina) para instruir humanidade em práticas que constituíam o seu yoga da síntese. Na visão conciliadora de S. Sivananda essas eram as práticas complementares e necessárias para o desenvolvimento do ser como um todo: Karma Yoga (yoga da ação), Bhakti Yoga (yoga da devoção), Raja Yoga (yoga da meditação) e Jnana Yoga (yoga do conhecimento).

Swami Sivananda dava grande ênfase ao trabalho desinteressado – Karma Yoga – como forma de purificar as inúmeras tendências latentes do ego. Todos os discípulos que chegavam ao ashram eram imediatamente submetidos a esse tipo de trabalho.

À medida que sua fama de grande sábio e guru crescia, sem mesmo sair da Índia, Swamiji despertou a centelha espiritual em pessoas ao redor do mundo. Assim que as pessoas começaram a aparecer mais e mais em busca de seus ensinamentos e para que a sagrada tradição do yoga não fosse ensinada de forma inadequada, foi fundada em 1948 a Yoga Vedanta Forest Academy (Academia de Yoga e Vedanta da Floresta). O corpo docente dessa instituição era formado por seus discípulos mais próximos. Cada um deles ficou responsável por uma determinada disciplina, assim, todos aspirantes que ali chegavam tinham a oportunidade de conhecer a tradição na sua forma mais pura e correta. Um de seus discípulos, Swami Vishudevananda ficou encarregado do ensino do Hatha Yoga, pois dominava profundamente essa ciência. Foi também o primeiro discípulo a chegar ao Ocidente, no final dos anos 50, fundando os Sivananda Yoga Vedanta Centers

Swami Sivananda com Swami Vishnudevananda

Empreendedor até mesmo para os moldes atuais, S. Sivananda em poucos anos fez, a partir de seu ashram, florescer uma livraria e biblioteca, uma farmácia homeopática e um hospital para olhos. Todos que buscavam seu ashram muitas vezes encontravam o próprio swami na recepção acolhendo e recebendo a todos com amor e devoção. Sempre preocupado na correta orientação na senda espiritual escrevia constantemente. Escreveu ao longo de sua vida mais de 300 livros com temas relacionados ao yoga. Mantinha frequente contato por meio de correspondência com discípulos do mundo todo. Mais tarde essas cartas foram compiladas em um livro chamado Sivananda Upanishads. 

Swami Sivananda e alguns de seus discípulos
Swami Sivananda e alguns de seus discípulos: Swami Venkatesananda, Swami Krishnananda, Swami Chidananda e Swami Satchidananda

Ele tinha uma profunda capacidade para sintetizar os ensinamentos do yoga e vedanta em uma forma simples e clara para que todos pudessem entender. Sabendo da necessidade do mundo moderno e da rapidez do declínio espiritual dessa era foi ele quem abriu e revelou grandes “mistérios” da tradição yogue para todos. Foi um dos grandes responsáveis pela disseminação da autentica tradição do yoga no mundo por se comunicar e escrever em inglês. Concedeu iniciação monástica a mulheres, o que não era comum no início do século XX.

Em sua velhice, Swamiji padeceu de enfermidades naturais, que o fizeram submeter a rigorosas disciplinas e sacrifício. Seus discípulos antigos contam que sua dedicação ao trabalho e o próximo era tão grande que precisando realizar alguma tarefa, mesmo estando doente, se levantava de seu leito e realizava a atividade devida como se nada estivesse lhe perturbando. Logo após retornava ao seu leito retomando a posição de “doente”. 

Swami Sivananda meditando

Faleceu (ou, como se costuma dizer nesses casos, atingiu seu Maha Samadhi) em 14 julho de 1963 e seus discípulos se recordam que algum tempo antes desse dia, Swamiji havia marcado essa data na folha de calendário do Ashram, mostrando assim que sabia previamente o dia que abandonaria seu corpo. Suas últimas palavras foram: Attach, detach (apegue, desapegue). Nossas respeitosas revências a Gurudev que com o archote do conhecimento iluminou nossos olhos que estavam cegos devido a escuridão da ignorância.

Jaya Sivananada Maharaj Ki! Jaya!

Autores deste texto: Narayan (Tiago Bastos) e Shivani (Carol Oliveira), Yoga Siromani (professores de Yoga) formados pelo Centro Internacional de Yoga e Vedanta. Fundadores do Yoga Hall. Residem atualmente em Franca, SP. Email: aulasdeyoga@hotmail.com

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