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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

A Mitologia de Vishnu (Viṣṇu) 

Viṣṇu (ou Vishnu) é uma divindade indiana muito popular, atualmente. No entanto, na fase mais antiga da tradição indiana (o período dos Vedas e dos Brāhmaṇas) ele era uma divindade secundária, de pequena importância. Ele passou a ter grande importância a partir do Mahābhārata (alguns séculos antes da era cristã) e, posteriormente, na época em que são redigidos os Purāṇas (início da era cristã). Sua mitologia passa a ser muito rica, nesse período.

A forma cósmica de Vishnu

Nos Vedas, Viṣṇu é citado nominalmente poucas vezes. É uma divindade secundária, havendo outras muito mais populares da época, como Indra, Agni (o deus do fogo), Soma (a divindade da bebida da imortalidade), Varuṇa e outros. Viṣṇu aparece frequentemente invocado juntamente com Indra, com quem bebe Soma e a quem ajuda a matar o demônio Vṛtra. Parece ser, nos Vedas, uma personificação do Sol e da luz, mas sua mitologia não é clara. Há um único mito específico de Viṣṇu nos Vedas, que se refere aos seus três passos (trivikrama), com os quais conquistou ou atravessou as três regiões do universo: a Terra, a atmosfera e o espaço celeste. 

Os três passos de Vishnu

Um dos poucos hinos dos Vedas que é dedicado a Viṣṇu é este:

1. Eu declaro os feitos heróicos de Viṣṇu, aquele de passos largos, que atravessou as regiões do mundo, que estabeleceu a esfera superior, com seus três passos. 2. Viṣṇu é celebrado por suas proezas, terrível como uma fera selvagem, destrutivo, residindo nas nuvens; todos os mundos residem nos seus três amplos passos. 3. Que meu hino inspirado chegue a Viṣṇu, aquele que reside nas alturas, o de passos amplos, o vigoroso, que sozinho atravessou com três passos este céu vasto e amplo. 4. Seus três lugares, repletos de mel, nos alimentam e nos alegram; apenas ele sustentou o universo triplo, a Terra e o céu, todos os mundos. 5. Que eu possa atingir aquele seu lugar mais elevado, onde se alegram os homens devotados aos deuses; pois existe uma fonte de mel na morada mais elevada de Viṣṇu, o de passos largos. 6. Nós ansiamos atingir essas suas moradas, onde residem vacas com muitos chifres que se movem rapidamente. Essa morada suprema da divindade de grandes passos brilha intensamente aqui. (Ṛgveda I, 154)

Alguns comentadores dos Vedas associam Viṣṇu a três formas divinas luminosas nas três regiões do universo: o fogo, na Terra; o raio, na atmosfera; e o Sol, no céu. Na literatura posterior, ele é considerado como um dos deuses solares (Ādityas).

Trimurti - Brahma, Vishnu, Shiva
Os três Devas (divindades) principais do Hinduísmo: Brahmā (esquerda), Viṣṇu (centro), Śiva (direita)

No Hinduísmo posterior (tal como aparece nos Purāṇas), Viṣṇu aumenta muito em importância e passa a pertencer à Trimūrti, ou "trindade" de deuses principais: Brahmā, Viṣṇu, Śiva. Eles representam, respectivamente, a criação, a preservação e a destruição do universo. Estão também associados aos três poderes (guṇas) fundamentais do universo: rajas (força), sattva (luz), tamas (trevas). Viṣṇu é comumente chamado também Hari ou Nārāyaṇa – embora este segundo nome seja atribuído, em muitos textos, a Brahmā.

A companheira de Viṣṇu é a deusa (Devī) Lakṣmī, também chamada Śrī, que representa a riqueza, a boa sorte, a abundância. Em algumas obras, a Terra, Bhūmi ou Bhū Devī, é considerada como sua esposa. 

Vishnu e Lakshmi

Viṣṇu é muitas vezes representado assentado ou deitado sobre um lótus. Seu veículo (vāhana) é a águia, Garuḍa. A seita hindu Vaiṣṇava venera Viṣṇu como sendo o Ser Supremo (Brahman) e como Puruṣa (o Eu supremo, ātman). O hino dos mil nomes de Viṣṇu, ou Viṣṇu Sahasranāma, declara que Viṣṇu é o Eu Supremo (Paramātman) e o Senhor Supremo (Parameśvara). Muitas vezes é identificado com Nārāyaṇa, o ser primordial que se move sobre as águas no início da criação do universo, sendo então representado reclinado sobre Śeṣa ou Ananta, a serpente da imortalidade; o Deva Brahmā surge de um lótus que cresce do seu umbigo. Em outras tradições do Hinduísmo, no entanto,  Śiva ou  Śakti Devī (a Poderosa) são considerados como o Ser Supremo. 

Vishnu deitado sobre Shesha no oceano primordial, com Lakshmi, e Brahma

O nome de Viṣṇu parece se originar do radical sânscrito viś, que significa entrar, estabelecer-se, permear. Por isso, uma das interpretações da palavra Viṣṇu é "aquele que penetra ou permeia tudo". Essa etimologia é coerente com o papel de Viṣṇu nos Vedas, já que ele percorre ou penetra todo o universo com seus três passos.

Nos Purāṇas, Viṣṇu é muitas vezes descrito como tendo a cor das nuvens de chuva (ou seja, um cinza azulado) que representa o espaço, possuindo quatro braços que seguram uma flor de lótus, um bastão ou clava, uma concha e um disco. A flor de lótus (padma) representa a pureza e a verdade, a libertação espiritual, assim como o desabrochar do universo. A concha (śaṅkha) de Viṣṇu, chamada Pāñcajanya, proveniente do Oceano primordial, é um instrumento sonoro, que pelo sopro (associado à expansão da criação e à forma em espiral da concha) produz o Som primordial; Pāñcajanya significa a origem dos cinco elementos (éter, ar, fogo, água, terra). A sua clava (Gadā), chamada Kaumodakī, é o poder do conhecimento e também é uma ameaça, serve para lembrar as pessoas para seguirem o caminho da espiritualidade e não a atração material. O disco (cakra), chamado Sudarśana Cakra (aquele que é agradável de contemplar), com seis raios, simboliza o poder do espírito e é a arma com a qual Viṣṇu destrói os seus inimigos. Representa também a destruição do egoísmo. 

Os atributos de Vishnu na sua iconografia

Ele é geralmente representado com uma marca peculiar no peito chamada Śrīvatsa, que representa a presença de Lakṣmī no seu coração. Tem um arco chamado Śārṅga e uma espada chamada Naṇḍaka. Tem no pulso uma jóia chamada Syamantaka e outra no peito chamada Kaustubha e uma guirlanda de flores, que representa Māyā, a magia da criação. Tem também uma coroa na cabeça, indicando sua autoridade suprema. 

O paraíso ou mundo mais elevado (param padam) de Viṣṇu é chamado Vaikuṇṭha, que é um reino de felicidade perfeita e eterna. Os Vaiṣṇavas consideram que Vaikuṇṭha é o destino supremo das pessoas que atingiram a libertação espiritual, ou mokṣa. Vaikuṇṭha é considerado como um mundo fora do universo material. 

Vaikuntha
Vaikuntha

Sua outra morada, que está no universo material, é o “Oceano de Leite”, Kṣīrasāgara (kṣīra significa leite ou coalhada e sāgara significa oceano ou água). Esse Oceano de Leite é a origem de todo o universo, e nele Viṣṇu está reclinado sobre a serpente infinita ou ilimitada (Ananta Nāga), também chamada de Śeṣa, que significa “aquilo que restou”. Quando o universo chega ao fim do seu ciclo e todas as coisas são destruídas e desaparecem, resta apenas Śeṣa, que flutua sobre o espaço vazio (simbolizado pelo oceano primordial), servindo de leito para o sonho de Viṣṇu. De lá surgirá, depois um novo ciclo cósmico.

Vishnu deitado sobre Ananta (Shesha) no universo primordial

A atuação de Viṣṇu no universo se dá através de uma série de “descidas” ao mundo, adquirindo diferentes formas, os "avatares" (Avatāras). O Garuḍa Purāṇa e outras fontes indicam dez avatāras de Viṣṇu (Daśāvatāra), enquanto o Bhagavāta Purāṇa dá uma lista de vinte e dois avatāras, além de informar que existem infinitas manifestações de Viṣṇu. Os dez avatāras serão descritos em uma outra página deste Blog.

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