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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

Navaratri, ou Durgā Puja

O festival hindu da Grande Deusa 

Em 2012, o Navaratri começa na terça-feira, dia 16 de outubro, e continua até quarta-feira, dia 24 de outubro.

O festival indiano do Navaratri, ou Durgā Puja, é dedicado ao culto (Puja) da Grande Deusa (Maha Devi), ou Shakti (a Poderosa), sob a forma de Durgā ("a inacessível"). O nome "Navaratri" significa nove (nava) noites (ratri),  pois a parte principal do festival dura nove dias. Há também um décimo dia (denominado Vijaya Dasami ou Dussehra), que completa o festival; e um dia anterior ao início do Navaratri, chamado Mahalaya, que é uma preparação para as comemorações. 

Durga Puja

Nos anos anteriores já colocamos informações sobre essa grande festa religiosa indiana:

http://www.shri-yoga-devi.org/Blog/2011-09-Durga-Puja.html
http://www.shri-yoga-devi.org/Blog/2010-10-Navaratri.html

Apresentamos aqui novas informações sobre o Navaratri, que complementam as que já foram divulgadas antes.

Rosto da Deusa indiana Durga

Em diferentes partes da Índia, esse festival é comemorado de modos bem distintos. No Sul da Índia é comum a divisão do Navaratri em três partes com três dias cada. Os três primeiros dias invocam Durgā (a Deusa guerreira), os três seguintes Lakshmi (a Deusa da abundância) e os três últimos Sarasvati (a Deusa da sabedoria).

No Norte da Índia, todo o festival é dedicado a Durgā, sem menção a Lakshmi e Sarasvati; porém cada dia é dedicado a uma das nove formas de Durgā (NavaDurgā).

Em algumas regiões, o Navaratri é interpretado como um festival Vaishnava (dedicado a Vishnu), quando se celebra a batalha entre Rama (um dos avatares de Vishnu) e o demônio Ravana. Em Bengala, o Navaratri é associado ao deva Rama, recebendo o nome de Ram Lila. 

A Grande Deusa é o Poder divino que existe tanto dentro de cada pessoa quanto sob a forma de um poder cósmico. Invocá-la e cultuá-la significa, por um lado, tentar se colocar em sintonia com uma divindade que existe sob a forma de uma realidade independente de nós e que é superior a tudo; e, por outro lado, significa ativar as forças divinas que existem dentro de nós. 

Lakshmi, Durga e Sarasvati Lakshmi, Durgā e Sarasvati

Durgā representa a destruição da negatividade e está associada ao guna tamas (trevas, destruição); Lakshmi representa a proteção e preservação daquilo que é positivo, associada ao guna sattva (luz, sabedoria, equilíbrio, bondade); e Sarasvati representa a energia criativa e a origem da sabedoria, associada ao guna rajas (ação, produção, violência). A Shakti é o poder divino supremo, que combina os aspectos dessas três manifestações (Durgā, Lakshmi, Sarasvati).

Durga devi

A Grande Deusa pode ser considerada sob dois aspectos opostos: benevolente e terrível. Em suas manifestações bondosas, ela é chamada de Umá (a brilhante), Gauri (a dourada), Parvati (a filha da montanha), Jagatmata (mãe do mundo) e outros nomes que traduzem seus aspectos positivos e sattvicos. Seus aspectos assustadores têm nomes como Durgā (a inacessível), Kali (a negra), Chandi (a feroz), Bhairavi (a terrível). No entanto, mesmo esses aspectos que parecem negativos são positivos, indicando a necessidade eventual de manifestação de poderes destruidores para se atingir um objetivo elevado.

O Navaratri evoca uma situação mitológica primordial, descrito no Devi Mahatmya, na qual todo o universo estava ameaçado por poderosos demônios. Os deuses masculinos (devas) foram vencidos e se viram incapazes de lidar com esse grande perigo. Precisaram então invocar a Grande Deusa, que lutou durante nove dias contra as forças malignas e as venceu. 

Durga combatendo demônios

Os poderes demoniacos que são destruídos pela Grande Deusa podem ser interpretados tanto sob o ponto de vista externo (forças cósmicas negativas) como sob o ponto de vista interno (nossas impurezas e fraquezas, como ódio, inveja, ciúme, ignorância, violência).

O Navaratri está associado especialmente à Deusa Durgā. Por isso o Navaratri é chamado também de Durgā Puja (culto à deusa Durgā). Ela é representada como uma guerreira, tendo por veículo um tigre ou leão, munida de um grande número de armas divinas que segura em suas várias mãos. Por montar sobre um leão, ela é chamada de Simhavahini (aquela cujo veículo é o leão). Costuma estar vestida de vermelho. Embora as representações de Durgā sejam variadas, ela costuma ser representada com dez mãos, segurando espada, concha, disco, rosário, sino, taça, escudo, arco, flecha e lança. 

Deusa Durga

Durgā representa um aspecto feroz e agressivo da Grande Deusa (Maha Devi), a Poderosa (Shakti). Ela combate os demônios,  vencendo as forças negativas e restaurando o poder dos Devas. Ela é invocada pelos seus devotos para proteger de todos os poderes maléficos e também para purificar de falhas pessoais (os demônios internos). A luta de Durgā contra os demônios simboliza a luta do bem contra o mal, em todos os níveis. Por isso, esse festival é muito auspicioso. 

O culto da Grande Deusa (e de Durgā, em particular) aparece de forma destacada apenas nos textos hindus chamados Puranas, que costumam ser datados do período medieval. O Navaratri parece ter surgido na região de Bengala; mas não há informações seguras sobre a época em que começou a ser celebrado.

A data do Navaratri é diferente em cada ano, pois está associada às fases da Lua. Pode cair em setembro ou outubro, começando logo depois da primeira Lua Nova posterior ao equinócio de outono do hemisfério Norte (equinócio de primavera do hemisfério Sul). Em 2012, o Navaratri começa na terça-feira, dia 16 de outubro, e continua até quarta-feira, dia 24 de outubro. 

Alguns aspectos da celebração do Navaratri

Sob o ponto de vista tradicional, o Navaratri ou Durgā Puja é uma festa religiosa, comemorada principalmente nos lares e templos. Está relacionado à recitação de hinos, cânticos para a Deusa, rituais dedicados a ela, jejum e outras austeridades. Durante o dia (do alvorecer até o anoitecer) a tradição recomenda abster-se de alimentos sólidos. À noite é feita uma refeição leve, com frutas e outros alimentos vegetais (mas sem incluir cereais). 

Invocação da deusa Durga

Considera-se como altamente auspicioso, durante o Navaratri, recitar o Chandi Patha (a forma ritual de recitação doa Devi Mahatmya), manter lamparinas de manteiga líquida (ghi) acesas, realizar rituais de oferecimento de flores, alimentos e outros presentes para a Deusa, manter-se acordado à noite recitando hinos à Deusa. Durante os nove dias devem ser evitadas as relações sexuais, o uso de bebidas alcoólicas, o consumo de carne de qualquer tipo, deve-se ficar descalço e evitar viagens. Algumas pessoas dormem no chão, como uma forma de austeridade. Os homens não se barbeia nem cortam o cabelo durante o festival.

No Punjab muito devotos se alimentam apenas de leite nos sete primeiros dias, quebrando esse jejum apenas no oitavo ou nono dia. O jejum é um modo de se mostrar superior às necessidades físicas do corpo e para obter resultados espirituais, assim como para conseguir a bênção da Deusa Mãe, a quem esse esforço é oferecido. O jejum é mais comum na região Norte da Índia.

Durga Puja

Durga puja

Abaixo estão descritas algumas das atividades tradicionais realizadas durante o Navaratri, em cada lar. Os rituais são feitos pelo casal, muitas vezes com a assistência de um sacerdote brahmana. Sempre que o homem faz um movimento com o braço direito, a sua esposa (que fica assentada ao seu lado) deve tocar o seu braço, para transmitir-lhe o poder necessário para que o ritual produza o efeito desejado. Esse é um aspecto muito antigo, que já estava presente nos rituais do período dos Vedas. Indica, simbolicamente, que o homem é incompleto e incapaz de realizar corretamente os rituais, sem sua esposa. 

(1) Ghatasthapana (ou Pratipada)
Encher um vaso de argila ou de cobre com terra e semear cevada ou sete tipos de grãos, no primeiro dia do Navaratri. O poder da Deusa faz com que os grãos germinem e cresçam. Os brotos são colhidos no último dia do festival e possuem propriedades auspiciosas. São distribuídos aos devotos.

(2) Acender lamparinas (Akhand dip)
São utilizadas lamparinas alimentadas por manteiga líquida (ghi), com uma mecha de algodão. Essas lamparinas simbolizam a luz divina da Shakti, purificando toda a residência. Devem ser mantidas acesas durante o Navaratri.

Durga puja

(3) Convidar a Deusa para sua residência
Coloca-se uma imagem da Deusa em um local puro, cercando-a por oferendas como flores e alimentos e recitando mantras, convidando a Shakti para permanecer presente. Além da imagem da Deusa, pode-se também estabelecer ritualisticamente um yantra (preferivelmente o Durgā Yantra).
http://youtu.be/aEafJUmfYSw (vídeo narrado em Hindi)

Durga puja

(4) Malabandhana
Pendurar guirlandas acima do ídolo da Deusa. Essas guirlandas ficam suspensas no ar, penduradas do teto por fios, sem tocar a imagem da Deusa. As guirlandas devem ser, preferivelmente, feitas com flores naturais. A flor mais adequada para Durgā é o jasmim (que também está associada a Shiva), assim como flores vermelhas, como o hibisco. Para Lakshmi, são utilizadas as flores de lótus, magnólia e o crisântemo (preferivelmente de cor amarela ou alaranjada). Para Sarasvati, o lótus branco (ou outras flores brancas). No entanto, qualquer flor, oferecida de modo respeitoso e amoroso, é adequada para o culto da Deusa.

Durga puja - Kumarika

Durga puja- Kumarika

(5) Kumarika pujan
O culto de meninas virgens faz parte do Navaratri. Tradicionalmente são convidadas nove virgens (kumarikas), que se assentam sobre uma almofada de lâ, sendo tratadas como representantes da Deusa. Seus nomes pessoais não são pronunciados, elas são durante todo o tempo  chamadas pelos nomes da Deusa. Seus pés são lavados de forma ritual, são oferecidos alimentos sobre uma folha de bananeira (frutos, doces, etc.) e ganham de presente uma roupa. A kumarika representa a Deusa que ainda não manifestou seus poderes. 

(6) Oferecimento de alimentos consagrados (Naivedya) para a Deusa
São preparados alimentos sattvicos, que são colocados diante da imagem da Deusa, com o pedido para que ela os aceite. Depois, esses alimentos podem ser distribuídos como prasada (alimento consagrado). 

(7) Danças sagradas, como Garba
A dança circular é realizada acompanhada por palmas. Deve-se bater três palmas de cada vez, que representam as três formas principais da Deusa, associadas respectivamente a tamas, rajas e sattva. 

(8) Quinto dia: Lalita Puja
No quinto dia do Navaratri, é feito o culto de Lalita.

(9) Oitavo dia: culto à Deusa
Nesse dia é cultuada uma estátua de Durgā com o rosto feito de farinha de arroz e vestida de vermelho. 

Durga puja

(10) Imersão da imagem da Deusa
No nono dia, a imagem da Deusa é entregue às águas (em um rio), simbolizando seu retorno à sua morada divina, no Himalaia. Os brotos das sementes que foram plantadas no primeiro dia são oferecidos à Deusa.
http://youtu.be/-Mhlo6BlpqU (vídeo narrado em Hindi)

Durga puja

Durga puja

Em Kerala, a educação das crianças se inicia no final do Durgā Puja. Os três últimos dias são considerados os mais importantes. No oitavo, todas as ferramentas domésticas e os instrumentos de trabalho são cultuados (Ayudha Puja), sendo colocados aos pés da Deusa ao amanhecer, e nenhum deles pode ser utilizada nesse dia. No nono dia, os livros e instrumentos musicais são cultuados em casa: acende-se uma lamparina e eles são homenageados, invocando-se Sarasvati, a deusa do conhecimento e das artes. O dia em que esses rituais são realizados são variados, em diferentes regiões da Índia.

Considera-se que o décimo dia (chamado Vijaya Dasami, ou décimo dia da vitória) é auspicioso para o início de empreendimentos de todos os tipos. Durgā destruiu o maléfico Mahishasura, significando a destruição de nossos aspectos negativos. Este é um bom dia para dedicar-se ao estudo e à leitura espiritual.

Vidyarambha - o início da sabedoria

Era o dia escolhido, tradicionalmente, para o início do aprendizado das crianças. Realizava-se o ritual chamado Vidyarambha (início do conhecimento) com crianças entre 3 e 5 anos de idade. O pai, uma pessoa mais velha, ou o mestre da criança (acharya) toma o dedo indicador da criança e escreve sobre areia ou sobre um prato forrado com arroz cru a frase: "Om shri Ganapatayae namah", em devanagari. Depois, se a criança já souber escrever, ela própria escreve na areia ou no arroz a letra "A". Se não souber, a pessoa que está realizando o ritual toma um anel de ouro, que mergulha no mel, e depois desenha com ele, na língua da criança, a letra "A" em devanagari. 

Vários dos rituais tradicionais realizados durante o Navaratri são mostrados nestes vídeos (narrados em Hindi):
http://youtu.be/ODyQzUJhzbI 
http://youtu.be/CssETexE4Po 

Esses vídeos foram produzidos pela organização Hindu Janajagruti Samiti (http://www.hindujagruti.org/) que se dedica à manutenção da tradição religiosa indiana, combatendo as deturpações recentes.

O Navaratri atual

Nos tempos atuais, o Navaratri se transformou em uma festa popular, que tem perdido o seu significado religioso. Atualmente, as festas populares, realizadas nas ruas ou em clubes, estão centralizadas em música e dança. 

Tradicionalmente, o Navaratri estava associado a duas formas de dança chamadas Garba e Dandiya, que se originaram em Gujarat, mas se espalharam por toda a Índia. Incluem danças femininas (Garba) e outras danças com homens e mulheres utilizando bastões (Dandiya), simulando uma luta. A dança é tradicionalmente circular, em torno de um fogo que representa a luz divina da Grande Deusa

Dandiya era realizado à noite, depois de realizar rituais sagrados; enquanto Garba era realizada antes do culto à deusa Durgā. Eram realizadas em pequenos grupos, nas residências ou em pátios.

Garba Navaratri

A dança Garba tem movimentos simples; era realizada por mulheres que tradicionalmente colocavam potes decorados na cabeça e faziam uma dança circular em torno de um pote cheio de furos (garbo), dentro do qual era colocada uma lamparina, projetando luz pelos orifícios. 

Pote garboPote garbo

Dandiya tem movimentos mais complexos, sendo realizado por dois círculos, um girando no sentido horário e o outro no sentido anti-horário, usando bastões que são percutidos contra os de outros participantes, simulando a luta entre a Deusa Durgā e o demônio Mahishasura. 

No primeiro dia do Navaratri, a primeira dança Garba devia ser, tradicionalmente, acompanhada pela canção devocional "Padve Thi Pahelu Maa Nu Nortu", que descreve a importância e os poderes das nove formas de Durgā.

Essas danças são atualmente realizadas de forma coletiva e barulhenta, nas ruas ou em locais como clubes. Em muitos lugares, Dandiya começa em torno das 9 horas da noite e dura até as 4 horas da manhã, com alto-falantes irradiando as músicas. Atualmente, essas danças perderam a maior parte dos aspectos religiosos tradicionais e se transformaram em brincadeiras populares, utilizando música "pop" e introduzindo passos de dança divulgados em filmes de Bollywood. 

Navaratri - Dandiya

Outras práticas não tradicionais que fazem parte do Navaratri popular na Índia atual são exigência de doações, realizar manifestações ruidosas (com alto-falantes nas ruas), dançar sob efeito de bebidas alcoólicas, introdução de gestos eróticos e obscenos nas danças tradicionais, banhos coletivos à noite que se transformam em orgias, utilização de rojões, explosivos e outros fogos de artifício, brincadeiras agressivas, e licensiosidade em geral. Com isso, o Navaratri se transformou em um tipo de carnaval indiano.

Queima de Ravana

Na região Norte da Índia, no décimo dia (chamado Vijaya Dasami, Dasara, Dashain ou Dussehra) é comum queimar imensas figuras do demônio Ravana, que contêm pequenos explosivos. O demônio Ravana não tem nenhuma relação com a tradição da Grande Deusa, e sim com a mitologia de Rama. Costuma-se justificar a relação entre Rama, Ravana e o Navaratri contando-se um episódio mitológico: quando Rama estava se preparando para guerrear contra o demônio Ravana, ele realizou um culto à deusa Durgā, e com isso conseguiu vencer a batalha, que durou nove dias. 

No Ramayana de Valmiki não existe a descrição de Rama fazendo o culto a Durgā; mas esse episódio aparece no Krittivasi Ramayana, composto no século XV pelo poeta Krittibas Ojha, que traduziu o Ramayana para o Bengali e introduziu muitas mudanças no texto. Trata-se, portanto, de uma adaptação posterior, que não tem relação nem com a tradição original do Ramayana nem com o culto à Grande Deusa.

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