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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

Mitologia de Shiva

Quem é Shiva? Nesta página  apresentamos uma visão geral sobre a mitologia dessa importante divindade indiana. 

Este texto foi extraído do livro: Mudras – As Mãos como Símbolo do Cosmos, de Ingrid Ramm-Bonwitt, publicado pela editora Pensamento (páginas 24-29). 

O presente texto foi mantido inalterado, por isso mantivemos a grafia dos termos sânscritos utilizada pela escritora. Apenas acrescentamos imagens coloridas de Shiva e mudanças na formação do texto.

Shiva dançando para Parvati (Shakti)

Nos Upanishades (750-500 a.C.) já está representada a opinião de que Shiva seria o deus mais elevado. No Upanishade Shvetashvatara, ele é enaltecido como o Brahman (alma do mundo) personificado e, no Upanishade Atharvashiras, é glorificado como o senhor da criação. 

Panchamukha Shiva

Shiva é tanto o deus da ascese como o deus dotado de extrema potência.  Nele vivem tendências conflitantes. Ele pode ser todo bondade e aparecer também, ao mesmo tempo, incompreensivelmente irado. Seu aspecto irado que dá vida chama-se "Ugra"; e o aspecto amigável, suave, "Saumya". Como deus da fertilidade, ele aparece ligado a uma deusa que é considerada a manifestação da Grande Deusa. A lenda shivaítica lhe dá muitos nomes: Uma, Sati e Parvati são os mais conhecidos. Os mitos narram que Shiva, em sua forma não-ariana, Rudra, um temível deus selvagem das montanhas, teria se casado com Sati, filha do deus ariano da criação, Daksha. Pelo fato de Daksha não ter convidado seu genro rústico para uma festa de sacrifícios dos deuses, Sati suicida-se de vergonha do pai. Depois da morte da esposa, Shiva deu as costas às coisas do mundo e retornou ao Himalaia. 

Os deuses então reuniram-se em conselho para decidir como poderiam levar Shiva a casar-se de novo. Eles chegaram à conclusão de que Sati deveria renascer como Parvati, a filha do Himalaia. Quando Parvati chegou à idade de se casar, ela tentou tudo para conseguir Shiva para si. Ela submeteu-se ao mais rigoroso ascetismo para assim tornar-se digna do grande deus. Embora Parvati tivesse despertado o desejo de Shiva, o senhor da ascese não admitiu essa paixão. Somente após muitos anos, quando Parvati tinha alcançado todos os estágios da consciência, ele a tomou como esposa. É ela que, com Shiva, se demora num abraço que dura milhares de anos. A união dos dois corresponde ao cumprimento da lei divina da abolição dos contrários num estágio primordial andrógino (híbrido) da criação. Através do simbolismo erótico, dá-se expressão à libertação do estado de tensão do dualismo. 

Shiva

A união de Shiva com sua esposa é freqüentemente representada através de símbolos correspondentes. Assim o Linga (o falo) junto com a Yoni (o útero) representa a abolição da dualidade.

O touro, símbolo da força da sexualidade, é juntamente com o linga um símbolo da energia criadora do deus. O controle de Shiva sobre o touro simboliza o domínio sobre a natureza física. Somente aquele que está em condições de controlar seus impulsos pode montar o touro. 

O controle de Shiva sobre os impulsos físicos e suas capacidades espirituais, adquiridas através de meditações e mortificações, concedem a ele energias ilimitadas, de forma que ele faz grandes prodígios e, como deus da fertilidade, pode prestar grandes serviços ao mundo. 

Shiva costuma ser representado na iconografia como um asceta nu com o corpo friccionado com cinza e cabelos desgrenhados. Vibhuti, a cinza sagrada, é um símbolo de pureza. Ela indica que Shiva, através de seus exercícios ascéticos, através do autocontrole, queimou suas paixões. Hoje também os adeptos do shivaísmo ainda se esfregam com cinzas, obtida do esterco de vaca através de prescrições precisas. O esterco de vaca simboliza tudo aquilo que, no homem, é pesado, passivo, negativo e mau. A cremação desse esterco simboliza a transfiguração da natureza inferior em uma superior, pura (Sattva). Através da fricção com essa cinza sagrada, o shivaíta quer livrar-se das coisas materiais e da sexualidade e se transformar num ser espiritual. 

Shiva- descida do rio Ganges ou Ganga

A distribuição dos sete rios sagrados na Índia também faz parte das boas ações de Shiva. No lugar onde o Ganges se precipitava no vale em gigantescas cataratas, ameaçando destruir tudo sobre o planeta, estava Shiva, para quebrar o poder das águas. Ele forçou o rio a passar através de seu cabelo emaranhado para, então, amansado e dividido em sete correntes sagradas, correr pelas encostas do Himalaia. 

Algumas representações iconográficas mostram Shiva com cinco faces, quatro braços e três olhos. O terceiro olho apareceu em sua testa quando um dia sua mulher, Parvati, de brincadeira, tapou-lhe os olhos, com o que o mundo mergulhou na escuridão desencadeando o perigo do desastre final. Com um único olhar desse olho Shiva podia vencer todos os seus inimigos. Seu olho direito simboliza o sol, o esquerdo a lua, o olho do meio o fogo. O terceiro olho representa a energia espiritual, e por isso recomenda-se aos adeptos do ioga a concentrar-se no ponto localizado entre as duas sobrancelhas. Shiva ou está vestido com uma pele de tigre ou com a pele de um elefante. A pele do tigre simboliza o domínio sobre a inquietação e a dispersão; a pele do elefante, o domínio do orgulho e da agressividade. Suas armas são o tridente, cujas três pontas simbolizam as propriedades do deus como criador, conservador e destruidor: uma espada, um arco e um bastão que termina num crânio, atributo característico dos ascetas e iogues. Quando se dedica à luta para combater demônios, ele é acompanhado por serpentes que pendem de seu pescoço, ombros e cabeça. 

O senhor Shiva e suas serpentes

Seus cabelos emaranhados adornados de serpentes e o colar de crânios que usa quando, como senhor dos espíritos, circula pelos cemitérios, salientam o lado violento de Shiva. Na forma do destruidor Mahakala, se expressa sua natureza selvagem, e visitar cemitérios é para ele uma satisfação. Fiel ao caráter de Shiva quando sob a forma de Mahakala, o culto de Shiva pode assumir traços sangrentos e orgiásticos. 

Em algumas ordens ascéticas shivaítas, não é raro que a automortificação ultrapasse os limites do sinistro. Eles infringem conscientemente os tabus da ordem hinduísta; bebem álcool, alimentam-se com alimentos impuros de todos os tipos e de todas as espécies- de carne. Eles justificam essas práticas afirmando que todos os prazeres terrenos devem ser eliminados, que não existe nem bem nem mal, nem agradável nem desagradável. O simbolismo que está por trás da meditação nos cemitérios é conhecido em numerosas ordens ascéticas. O cemitério simboliza a totalidade da vida psicomental. Ali o iogue incinera suas diversas obstinações espirituais e sensuais, todas as suas experiências egoístas. Ao mesmo tempo, ele se livra do medo e conjura demônios para subjugá-los. 

Shiva Nataraja - pintura

Shiva Nataraja, o Rei da Dança 

Um dos mais conhecidos nomes de Shiva é Nataraja, o rei dos dançarinos, ou seja, da dança. A dança de Shiva é considerada uma manifestação física do ritmo cósmico. Nataraja personifica o movimento do universo. O cosmos é seu teatro, e ele é ator e público ao mesmo tempo. 

Quando o ator toca o tambor,
todos vêm vê-lo,
Quando o ator junta seus apetrechos,
está sozinho na sua felicidade. 
(Ananda Coomaraswarny, The Dance of Shiva, p. 66)

Das várias danças de Shiva, três têm significado especial. A primeira é uma dança crepuscular no Himalaia, a qual vários deuses compareceram para admirar o rei dos dançarinos. Sarasvati tocava o alaúde, lndra a flauta, Brahma ficou com os címbalos, Lakshmi cantava, Vishnu tocava o tambor e os outros deuses ficaram em volta para presenciar a dança celeste de Shiva.  

Shiva Nataraja

A segunda dança conhecida foi executada por Shiva diante de uma assembleia de Rishis (santos) na sala dourada de Chidambaram, o centro do universo. Shiva, de quatro braços, com correntes, braceletes e adornado com najas, venceu nesta dança um tigre selvagem, uma horrível serpente e o astuto anão Muyalaka. Quando o deus-serpente Sesha viu a dança, submeteu-se a exercícios ascéticos na esperança de ver Shiva dançando uma vez mais. Alguns Rishis, que até então somente tinham enaltecido Vishnu, reconheceram nesta dança a prova da superioridade de Shiva. 

Com a terceira dança, cósmica (Tandava), Shiva procede à aniquilação do mundo ao final de cada era. Segundo a concepção hindu, essa destruição implica um novo começo. E assim, apesar do papel de destruidor, a Shiva, como deus da criação, compete a recriação; ele é "aquele que promete o bem". Shiva, o ser superior, é a fonte primordial de todas as coisas do cosmos, tanto as más como as boas, as visíveis e as invisíveis. Como criador e aniquilador, ele une em sua figura todos os pares de contrários, permanecendo, entretanto acima deles, calmo e desinteressado. 

Shiva - dança

A dança de Tandava representa a destruição do mundo de ilusões de Maya. Todo o cosmos visível nada mais é que uma ilusão, uma miragem que oculta o verdadeiro ser. Somente quando se olha através das esferas externas das aparições palpáveis e visíveis é que se pode avançar em direção ao ser puro, ao absoluto, seja qual for o nome que se lhe dê (absoluto, transcendente, imortal, etc.). O fundamento propriamente dito de Maya, que envolve a verdade como um véu, é a contradição. Os lados escuros da vida formam um contrapeso para os claros. Ambos os lados se intercalam como a suave bondade dos deuses e a sinistra ambição dos demônios. O mundo é uma mistura de bem e de mal, de felicidade e de infelicidade. E para suportar o aspecto eternamente fluido do mundo torna-se necessário aceitar a totalidade. O adorador de Shiva sente-se como manifestação de Maya e submete-se a ela. Ele encara a vida como uma melodia fluida que, nem bem é entoada, e já rapidamente começa a se perder. Quando o indivíduo apreende seu papel e sua participação na canção da vida, feita de desejo e sofrimento, para ele deixa de existir tristeza e decepção. O sofrimento e a alegria do cotidiano são elevados a êxtase, transformando-se em dança cósmica. Aquele que vê essa dança mística livra-se da corrente de renascimentos, e sua alma emerge no oceano da bem-aventurança (Ananda). 

Na dança de Tandava, Shiva é representado com quatro braços e mãos. Com a mão direita superior ele segura um pequeno tambor, símbolo do primeiro som da criação. O som é associado, na Índia, com o éter, o primeiro dos cinco elementos. O éter é a manifestação penetrante da substância divina, da qual se desenvolveram os outros elementos, tais como o ar, a água, o fogo e a terra. 

]Shiva Nataraja, o rei da dança, detalhe

A mão esquerda superior, cujos dedos assumem posição semelhante a uma meia-lua (Ardhachandra-Mudrã), traz em seu interior uma chama que simboliza a destruição do mundo. A mão direita inferior executa o gesto de afastar o medo (Abhaya-Mudrã), que garante proteção e paz. A mão esquerda inferior, que imita a tromba esticada de um elefante (Gaja-Hasta-Mudrã), simboliza Ganesha, o filho de Shiva, o removedor de obstáculos. 

O pé esquerdo erguido, cuja adoração leva à união com o absoluto, simboliza o acolhimento e a salvação das almas. Com o pé direito, Shiva subjuga o demônio Apasmara, o demônio do esquecimento e da desatenção, que simboliza a cegueira e a ignorância das pessoas. O dançarino cósmico, Shiva, está cercado por um anel de chamas, cuja origem provavelmente deve ser buscada no aspecto destrutivo do deus. 

Na dança cósmica, reúnem-se as cinco propriedades do deus Shiva:
* Criação e evolução (Sristi)
* Manutenção e proteção (Sthiti)
* Destruição e renascimento (Sarnhara)
* Jogo de ilusões, ou seja, a ocultação do ser verdadeiro (Tirobhava)
* Graça, ou seja, acolhimento dos crentes (Anugvaha) 

Estas cinco propriedades estão simbolizadas nas posições de suas mãos e pés. 

"Oh, meu senhor, tua mão, que segura o tambor sagrado, colocou o céu, a Terra, outros mundos e incontáveis almas no lugar correto. Tua mão erguida protege tanto a ordem consciente da criação como a inconsciente. Todos estes mundos são transformados pela mão que leva o fogo. Tua mão esquerda dá abrigo às almas sofridas e cansadas. Teu pé erguido garante a eterna bem-aventurança a todos aqueles que se aproximam de ti." 
(Ananda Coomaraswarny, The Dance of Shiva, p. 71) 

Devoto diante de Shiva Nataraja

Algumas representações de Nataraja mostram um círculo de chamas em torno d’Ele, simbolizando a dança da natureza, tendo Shiva, o Próprio Um, no centro. D’Ele tudo emana e n’Ele tudo se dissolve. Apesar de seu corpo estar em movimento, sua expressão facial é de serenidade. Isto indica que embora vivendo na agitação do mundo devemos nos manter ligados à nossa Verdadeira e Eterna Natureza Interior.

OM Namah Shivaya!

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