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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

Mitologia e simbolismo de Ganesha

No hinduísmo, Ganesha é uma das divindades mais conhecidas e amadas. O nome "Ganesha" pode ser decomposto em gana+isha = "senhor das tropas". É também chamado de Ganapati, que tem o mesmo significado (gana+pati = "senhor das tropas").  Muitas vezes seu nome é precedido por Shri ("reverendo"), um tratamento respeitoso utilizado geralmente para mestres e sábios. 

Ganesha - Ganapati em sânscrito

Ganesha é geralmente representado como uma divindade amarela ou vermelha, de corpo humano, com uma grande barriga, quatro braços (o número pode variar) e cabeça de elefante com uma única presa. Seu veículo é um camundongo. É considerado o mestre do intelecto e da sabedoria, sendo invocado antes do início de qualquer estudo; é também o "senhor dos obstáculos", sendo propiciado para abrir os caminhos do praticante. É filho de Shiva e Parvati.

Ganesha (Ganapati) e sua mãe Parvati (Shakti) Ganesha com sua mãe Parvati

Ganesha também é conhecido por vários outros nomes, como Vighnesha ou Vighneshvara (vigna+isha ou vighna+ishvara = senhor dos obstáculos). É invocado para remover os obstáculos internos e externos que atrapalham a caminhada do devoto. 

Vighnesha ou Vighneshvara em sânscrito = Ganesha

Assim como acontece com todas as outras divindades indianas, Ganesha é um arquétipo cheio de múltiplos sentidos. Sendo o filho de Shiva e de Parvati, ele é considerado a fusão dos dois grandes poderes complementares do universo. Quando Shakti (a Poderosa) e Shiva (o Consciente) se encontram, nascem o Som (simbolizado por Ganesha) e a Luz (simbolizada por Skanda, o outro filho de Shiva e Parvati). 

Uma descrição das características e atributos de Ganesha podem ser encontradas na Ganapati Upanishad (uma Upanishad dedicada a Ganesha), onde Ganesha é identificado com o Absoluto (Brahman e Atman).

Ganesha está associado à sílaba sagrada OM, da qual surgem todos os demais sons, as palavras e os hinos. Alguns desenhos (como o mostrado abaixo) fazem uma analogia entre a figura de Ganesha e a representação do OM em Devanagari.

Ganesha e o símbolo OMOM vermelho

Nascimento de Ganesha

Existem muitas versões diferentes sobre o nascimento de Ganesha. Em algumas delas ele é filho apenas de Parvati, em outras é filho apenas de Shiva, em outros é filho de ambos, e há também histórias em que não é filho de nenhum deles, tendo sido adotado pelo casal.

A mais conhecida história é provavelmente aquela encontrada no Shiva Purana. Uma vez, quando Parvati queria tomar banho, Shiva estava ausente e não havia ninguém disponível para protegê-la de alguém que poderia entrar na sala. Então ela criou um ídolo na forma de um garoto, esse ídolo foi feito da pasta de sândalo que Parvati havia preparado para lavar seu corpo. A deusa infundiu vida no boneco e assim nasceu Ganesha. Parvati ordenou a Ganesha que não permitisse que ninguém entrasse na casa e Ganesha obedientemente seguiu as ordens de sua mãe, postando-se na entrada. 

Dali a pouco Shiva retornou da floresta e tentou entrar na casa, mas foi impedido por Ganesha, que não o conhecia. Shiva se enfureceu com esse garotinho estranho que tentava desafiá-lo. Ele disse a Ganesha que era o esposo de Parvati e que Ganesha poderia deixá-lo entrar. Mas Ganesha não obedecia a ninguém que não fosse sua mãe. Shiva perdeu a paciência e teve uma feroz batalha com Ganesha. No fim, ele decepou a cabeça de Ganesha com seu Trishula (tridente). 

Quando Parvati saiu e viu o corpo sem vida de seu filho, ela ficou triste e com muita raiva. Ela ordenou que Shiva devolvesse a vida de Ganesha imediatamente. Mas, infortunadamente, o Trishula de Shiva foi tão poderoso que a cabeça de Ganesha não podia mais ser recuperada. Como último recurso, Shiva foi pedir ajuda para Brahma que sugeriu que ele substituísse a cabeça de Ganesha pela do primeiro ser vivo que aparecesse em seu caminho, dormindo com a cabeça voltada na direção norte. Shiva então mandou seu exército celestial (Gana) para encontrar e tomar a cabeça de qualquer criatura que encontrarem dormindo com a cabeça na direção norte. Eles encontraram um elefante moribundo que dormia desta maneira e após sua morte, tomaram sua cabeça, e a colocaram no corpo de Ganesha trazendo-o de volta à vida. 

Este mito tem um significado simbólico importante. O corpo inicial de Ganesha foi produzido apenas por Parvati, a Deusa poderosa que controla todas as forças da Natureza. Na filosofia indiana Sankhya, a Natureza (Prakriti, o poder feminino) é apenas uma das metades da Realidade, que é complementada pela Consciência (Purusha, o poder masculino, representado por Shiva). O filho de Parvati era incompleto, não tinha o conhecimento de Shiva (a Consciência), e precisou "perder a cabeça" para se tornar completo, com uma nova cabeça fornecida pelo próprio Shiva.

Shiva, Parvati e Ganesha, com seus veículos

Outra versão diz que em uma ocasião, a água de banho usada de Parvati foi jogada no Ganges e esta água foi bebida por Malini, a Deusa com cabeça de elefante, que logo após deu à luz um bebê de quatro braços e cinco cabeças de elefante. Ganga, a Deusa do rio o reivindicou como seu filho, mas Shiva declarou que ele era filho de Parvati, reduziu suas cinco cabeças a uma e o intitulou Senhor dos obstáculos (Vigneshvara). Dali em diante ele é chamado de Ganapati, ou o chefe do exército celestial, que deve ser adorado antes de iniciar qualquer atividade.

Uma história menos conhecida, do Brahma Vaivarta Purana, narra uma versão diferente do nascimento de Ganesha. Por insistência de Shiva, Parvati jejuou por um ano para agradar Vishnu, para que este lhe desse um filho. O Senhor Krishna, após o fim do sacrifício, anunciou que ele mesmo encarnaria como seu filho em cada kalpa (era). Então, Krishna nasceu de Parvati como uma criança encantadora. Esse evento foi celebrado com grande entusiasmo e todos os deuses foram convidados para ver o bebê. Shani, o filho de Surya, hesitou em olhar ao bebê pois é dito que o olhar de Shani é prejudicial. Porém Parvati insistiu que ele olhasse para o bebê, então Shani o fez, e imediatamente a cabeça da criança caiu e voou para Goloka. Vendo Shiva e Parvati feridos de aflição, Vishnu montou em Garuda, sua águia divina, e apressou-se para a ribeira do rio Pushpa-Bhadra, de onde ele trouxe a cabeça de um jovem elefante. A cabeça do elefante foi unida ao corpo do filho de Parvati, revivendo-o. A criança foi chamada Ganesha e todos os Deuses abençoaram Ganesha e desejaram a ele poder e prosperidade.

Outro conto do nascimento de Ganesha relata um incidente no qual Shiva matou Aditya, o filho de um sábio. Porém Shiva restaurou a vida ao corpo da criança morta, mas isso não conseguiu pacificar o sábio enfurecido Kashyapa, que era um dos sete grandes Rishis. Kashyapa amaldiçoou Shiva e declarou que o filho de Shiva perderia sua cabeça. Quando isto aconteceu, a cabeça do elefante de Indra (Airavata) foi colocada em seu lugar. 

Ganesha, o senhor das tropas

Uma vez ocorreu uma grande competição entre os Devas para decidir quem entre eles seria o chefe das tropas (gana) de Shiva. Para escolher quem seria o chefe, Shiva lhes pediu quedessem a volta ao mundo o mais rápido possível e retornassem para os pés do Grande Deva. Os Devas saíram correndo, cada um em seu próprio veículo, e mesmo Ganesha participou com entusiasmo desta corrida; mas ele era extremamente pesado e seu veículo era apenas um rato! Conseqüentemente, seu movimento era muito vagaroso e isso era uma grande desvantagem. 

Ganesha montado no seu veículo, o camundongo

Dali a pouco apareceu à sua frente o sábio Narada (filho de Brahma), que perguntou a ele aonde estava indo. Ganesha estava muito aborrecido e entrou em fúria porque é considerado um sinal de má-sorte encontrar um brahmana solitário no começo de uma viagem. Mesmo que Narada seja o maior dos brahmanas, filho do próprio Brahma, isso ainda era um mau presságio. Além disso, não é considerado um bom sinal ser perguntado aonde está indo quando já se está no caminho. Por isso, Ganesha se sentiu duplamente infeliz. No entanto, o grande brahmana conseguiu acalmar sua fúria. O filho de Shiva explicou a ele os motivos de sua tristeza e seu desejo de vencer. Narada o consolou, exortando-o a não entrar em desespero, e deu a ele um conselho:

"Assim como uma grande árvore nasce de uma única semente, o nome de Rama é a semente da qual emergiu aquela grande árvore chamada Universo. Então, escreva no chão o nome "Rama", ande ao seu redor uma vez, e corra para Shiva para pedir seu prêmio."

Ganesha retornou a seu pai, que perguntou a ele como conseguiu terminar a corrida tão rapidamente. Ganesha contou a ele de seu encontro com Narada e do conselho do brahmana. Shiva, satisfeito com essa resposta, declarou seu filho como vencedor e, daquele momento em diante, ele foi aclamado com o nome de Ganapati (Dirigente do exército celestial).

Em uma outra versão, Ganesha apenas dá a volta em torno de seus pais, que representam todo o universo, ganhando assim o direito de ser o Senhor das tropas.

Como Ganesha perdeu um dente

Ganesha é representado com apenas uma presa. Por isso, um de seus nomes é Ekadanta (aquele que só tem um dente). Algumas imagens de Ganesha o mostram segurando a outra presa em uma das mãos.

A história sobre como Ganesha perdeu uma de suas presas está associada ao Mahabharata. Conta-se que o sábio Vyasa pediu para Ganesha que transcrevesse o poema enquanto ele o ditava. Ganesha concordou, mas somente com a condição de que o sábio Vyasa recitasse o poema sem interrupções ou pausas. O sábio, por sua vez, colocou a condição que Ganesha não teria somente que escrever, mas também entender tudo o que ele escutasse antes de escrever. Dessa forma, Vyasa se recuperaria um pouco de seu falatório cansativo ao simplesmente recitando um verso bem difícil que Ganesha não conseguisse entender rapidamente. 

Ganesha escrevendo o Mahabharata, ditado por Vyasa

Vyasa começou a ditar e Ganesha escrevia depressa, pois tinha uma compreensão perfeita de tudo. Mas no corre-corre de escrever, a pena de Ganesha se quebrou. Então ele quebrou uma de suas presas e a usou como caneta; só assim a transcrição pôde prosseguir sem interrupções, permitindo que ele mantivesse sua promessa.

O simbolismo da imagem de Ganesha

Cada um dos aspectos das imagens de Ganesha tem uma interpretação simbólica. Vamos descrever aqui alguns deles.

O simbolismo de Ganesha

* A grande cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório.

* As grandes orelhas abertas denotam sabedoria, habilidade de escutar pessoas que procuram ajuda e para refletir verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para poder assimilar idéias.

* A tromba curva indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal. 

* Na testa, Ganesha tem o desenho do Trishula (tridente de Shiva), simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e os três mundos (terra, atmosfera, céu), e a superioridade de Ganesha sobre eles.

* A grande barriga de Ganesha contém infinitos universos. Simboliza a benevolência da natureza e equanimidade, a habilidade de Ganesha de sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo.

* Em uma das mãos carrega uma machadinha, que decepa os apegos do mundo material. Com essa machadinha Ganesha pode repelir e destruir os obstáculos.

* A outra mão direita faz o gesto pacífico (abhaya mudra), em direção ao devoto, proporcionando bênçãos, refúgio e proteção. Algumas vezes, na palma da mão aparece o símbolo OM, que representa o Absoluto.

* Uma das mãos à esquerda segura um laço, que representa os apegos ao mundo e as armadilhas que existem no caminho espiritual; e também um flor de lótus, que representa a iluminação que pode ser alcançada neste mundo.

* A outra mão esquerda segura um pote com doces, que representa a satisfação e a plenitude do conhecimento.

* O camundongo representa o desejo, que deve ser controlado pela sabedoria para conduzir corretamente o devoto no caminho espiritual.

* Os alimentos oferecidos aos pés de Ganesha indicam que todo o universo está ao nosso alcance, se soubermos qual o caminho correto. 

Ganesha e seus símbolos

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