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Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad

Autor do mês: 

Paul Brunton  

Muitos de nossos leitores certamente já leram algum livro de Paul Brunton. Uma de suas obras mais populares é "A Índia secreta", que foi escrita quase 80 anos atrás, mas que continua sendo reeditada e lida por muitas pessoas.

Paul Brunton - A Índia secreta

Paul Brunton (1898-1981) é o nome literário do jornalista Hermann Hirsch (de origem judaica alemã), nascido na Inglaterra. Ele alterou seu nome inicialmente para Raphael Hurst, depois para Brunton Paul e finalmente para Paul Brunton - nome com o qual ficou conhecido através de suas publicações. Conta-se que Brunton se envergonhava de sua ascendência judaica, e que chegou a fazer uma operação plástica para mudar seu nariz. 

Paul Brunton, em 1937 
Paul Brunton, em foto de 1937

Durante sua juventude, Brunton serviu ao exército britânico, participando da primeira guerra mundial. Depois, começou a se interessar pelo misticismo, entrando em contato com a Teosofia. Além de trabalhar como jornalista, era sócio de uma livraria ocultista, durante a década de 1920. 

Paul Brunton e Ramana Maharshi
Paul Brunton e Ramana Maharshi

No início da década seguinte, realizou uma viagem à Índia, entrando em contato com vários mestres espirituais importantes, como Meher Baba, o Shankaracharya de Kanchipuram e  Ramana Maharshi. Logo depois, em 1934, Brunton publicou o livro  "A search in secret India" (traduzido para o português como "A Índia secreta"), que fez grande sucesso. Lá ele descreveu sua viagem e suas experiências de busca espiritual. 

Apesar de ter aproveitado muito  suas viagens e contatos, Brunton sempre manteve uma atitude de se sentir superior  aos mestres orientais. Foi também crítico dos esforços de Gandhi para a independência da Índia, pois considerava natural que os britânicos dominassem aquele "povo escuro". 

Brunton teve um papel importante na divulgação dos ensinamentos esotéricos orientais no ocidente. Seu estilo jornalístico, apresentando suas viagens em forma de uma série de aventuras, também atraiu leitores. Porém, como costuma acontecer com os autores ocidentais que escrevem sobre o pensamento oriental, Brunton também não foi capaz de compreender as doutrinas originais, fazendo misturas e confusões entre idéias incompatíveis, e "ocidentalizando" o pensamento indiano. Além disso, simplificou e adaptou muitas concepções orientais para torná-las mais fáceis de compreender e praticar no ocidente. 

Paul Brunton

No entanto, muitos dos seus leitores pensavam (ou pensam, ainda hoje) que ele transmitiu as mais profundas concepções indianas, nos seus livros. O próprio Brunton depois passou a se comportar como um guru, influenciando muitas pessoas. Depois da independência da Índia, ele não regressou àquele país, e declarou que preferia não se encontrar mais com nenhum mestre indiano porque desejava desenvolver suas próprias idéias. Considerava, também, que os indianos eram intolerantes e de visão estreita, por não aceitarem suas tentativas de dar novas interpretações ao pensamento oriental.

Uma das influências indianas mais importantes na obra de Paul Brunton foi Ramana Maharshi, o sábio de Arunachala. Ele o visitou algumas vezes, e escrevia muito a seu respeito em suas obras. No entanto, quando retornou à Índia em 1939, com a intenção de permanecer três meses com Ramana, recebeu uma advertência de Niranjananda Swami, irmão de Maharshi, que administrava ao ashram. Niranjananda Swami acusou Brunton de ter plagiado muitas das idéias de Maharshi, apresentando-as como de sua própria autoria, nos livros. Por isso, proibiu-o de ficar tomando notas daquilo que Ramana dizia aos discípulos. Diante desta situação, Brunton ficou pouco tempo no ashram, foi embora e nunca mais retornou.

Paul Brunton no ashram de Ramana Maharshi
Paul Brunton (de terno, assentado ao chão) no ashram de Ramana Maharshi

Posteriormente, a influência mais importante  recebida por Burton foi a de Subrahmanyan Iyer, um discípulo de Vivekananda, cujo interesse era mais filosófico e intelectual do que espiritual propriamente dito. O estilo do pensamento de Iyer combinava mais com as preferências de Brunton, que acabou se dedicando ao estudo da filosofia ocidental e abandonando gradualmente os aspectos práticos da espiritualidade indiana.

Subrahmanyam Iyer e Paul Brunton
Subrahmanian Iyer (ao centro), seu filho (à esquerda) e Paul Brunton

Brunton fez enorme sucesso, durante sua vida, tendo vendido aproximadamente dois milhões de cópias de seus livros. Grande parte do seu sucesso veio de sua conexão com o pensamento indiano, pois seus leitores esperavam encontrar em suas obras os ensinamentos orientais mais profundos. Agora, com o devido distanciamento, é necessário perceber que os livros de Paul Brunton descrevem as idéias de Paul Brunton, mesmo quando ele afirma estar apresentando os pensamentos de algum mestre indiano. Quem tiver interesse em Paul Brunton deve ler os livros de Paul Brunton. Quem tiver interesse na tradição espiritual  indiana deve ler outros livros.

Paul Brunton

Muitos dos livros de Paul Brunton foram traduzidos para o português e são lidos até hoje. Indicamos abaixo os principais deles, colocando entre parênteses o ano em que o original inglês foi publicado.

A Índia secreta (1934)
O caminho secreto (1935)
O Egito secreto (1936)
Mensagem de Arunachala (1936)
Um eremita no Himalaia (1936)
A busca do eu superior (1937)
A realidade interna (1939)
A sabedoria oculta além do Ioga (1941)
A sabedoria do eu superior (1943)
A crise espiritual do homem (1952)

Além dessas obras, há outros livros de Brunto traduzidas para o português, como: Idéias em perspectiva; A imortalidade consciente; Meditações para pessoas em crise; Meditações para pessoas que decidem; O que é o karma?

"A crise espiritual do homem" foi o último livro que publicou, em 1952, muito antes de sua morte (1981). Passou as duas últimas décadas de sua vida bastante isolado, vivendo na Suíça. No entanto, durante esse período continuou a escrever muitas anotações, que foram publicadas postumamente por amigos e discípulos, em 16 volumes. 

Paul Brunton, em 1948

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