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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site: www.shri-yoga-devi.org

Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad
Texto do mês
Tattva Bodha e Viveka Chudamani
(O Despertar para a Realidade e A Jóia Suprema da Discriminação)

de  Adi Sankaracharya

Todo mês estamos adicionando novos textos para leitura na biblioteca virtual do nosso site Shri Yoga Devi.   

Neste mês, colocamos à disposição dos nossos leitores uma tradução completa para o espanhol do texto Tattva Bodha, de Adi Sankaracharya, acompanhado por outra obra fundamental do mesmo autor, Viveka Chudamani. As duas traduções, realizadas por Hugo Labate, são acompanhadas pelo texto em sânscrito, transliterado.

Essas são duas obras fundamentais da filosofia Vedanta. O autor desses dois textos foi Shankaracharya, um dos mais importantes expoentes da corrente Advaita (não dualista) do Vedanta. 

O princípio fundamental dessa concepção é a identidade entre o Eu interno (Atman) e o Absoluto (Brahman), que são apenas dois aspectos de uma única realidade. Por isso, o Vedanta não busca uma divindade externa para ser cultuada, e sim busca o encontro da pessoa com o seu Eu mais interno, que é não apenas uma "centelha divina", mas sim a totalidade da divindade.  Tudo aquilo que vemos à nossa volta e que parece ser diferente de Atman-Brahman é apenas uma manifestação secundária, cuja natureza precisa ser reconhecida. Assim como uma onda do mar não tem uma realidade separada, mas é apenas uma manifestação da água, da mesma forma tudo aquilo que nossos sentidos nos mostram não passa de manifestações da Realidade única, que é Atman-Brahman

Atman - Brahman

Não existem diferentes indivíduos, mas um único Ser. Porém, essa realidade única não é acessível às pessoas que não adquiriram a capacidade de discriminação. Para essas, existe a individualidade, o eu, que está preso em um corpo e que parece separado de todo o resto da Realidade. Esse indivíduo é Atman associado aos seus vários "corpos" ou "camadas", e se chama Jiva. Da mesma forma, embora o Absoluto (Brahman) seja único e seja toda a Realidade, pode-se falar sobre uma divindade individual, Ishvara (o Senhor), que corresponde a Brahman visto sob uma aparência limitada. A relação entre Atman e Brahman é a mesma que existe entre Jiva e Ishvara

A obra Tattva Bodha, embora muito elogiada e respeitada, tem um problema: é curta e sintética, não apresenta uma explicação detalhada dos seus conceitos. Para compreender de forma adequada o seu conteúdo, é necessário ler outras obras sobre Vedanta, ou estudar os comentários que foram escritos sobre o próprio Tattva Bodha

Uma outra obra importante de Shankara é o Viveka Chuda Mani. O nome dessa obra pode ser decomposto em Viveka (discriminação) + Chuda (topo, parte mais alta) + Mani (jóia), significando portanto "a jóia suprema da discriminação". Esse texto, bastante detalhado e extenso, apresenta uma visão mais completa do Advaita Vedanta

Essas duas obras de Shankaracharya, em uma versão bilíngüe (sânscrito / espanhol) por Hugo Labate, e que foram obtidas no site:
https://sites.google.com/site/vedantaenespanol/Home
podem ser encontradas, com uma introdução em português, na nossa biblioteca virtual de textos:
http://www.shri-yoga-devi.org/textos.html

Tattva Bodha, de Shankaracharya

O "primeiro mestre Shankara" (Adi Shankaracharya) foi  um importante sábio indiano que parece ter vivido no século VIII ou IX d.C.  Foi um famoso filósofo da linha Vedanta Advaita (não dualista). 

Ele seguia a tradição dos Vedas e das Upanishads, tendo escrito comentários sobre dez delas e também um grande comentário ao Vedanta Sutra (também chamado Uttara Mimamsa Sutra ou Brahma Sutra) de Badarayana. É também autor de um comentário sobre o Bhagavad Gita. Além disso, são atribuídos a Shankaracharya diversos hinos religiosos, bem como outras obras menores. Os comentários de Shankaracharya possuem um estilo filosófico racional, enquanto seus hinos são de natureza mística. A influência de Shankara foi muito grande, não apenas por suas obras e pela sua vida, mas também por ter fundado instituições que duram até hoje.

A biografia de Shankaracharya  é obscura. Os relatos existentes se baseiam em obras tradicionais, chamadas coletivamente Shankara Vijayams, que contêm muitas descrições de natureza lendária. Conta-se que os seus pais já tinham uma idade mais avançada e não tinham filhos. Fizeram então orações a Shiva, que apareceu diante deles e lhes deu duas opções: ou um filho medíocre que teria uma vida longa, ou um filho extraordinário que não viveria muito. O casal escolheu a segunda opção, e quando a criação nasceu recebeu o nome "Shankara" em homenagem a Shiva. "Shankara" é uma das formas tradicionais de se fazer referência ao deva Shiva. Significa, literalmente, auspicioso, benfazejo ou aquele que produz a prosperidade.

De acordo com os relatos tradicionais, Shankara demonstrou sua capacidade intelectual de modo muito precoce, tendo dominado o conteúdo dos quatro Vedas com a idade de oito anos. Passou algum tempo como estudante religioso (Brahmachari), mas não se casou: adotou logo depois a vida de renunciante (Sannyasi), passando a viajar em peregrinação pela Índia. Nas margens do rio Narmada, encontrou Govinda Bhagavatpada, discípulo do filósofo Gaudapada. Govinda se tornou seu guru e o iniciou na linha do Advaita Vedanta.

Adi Shankaracharya Shankaracharya e seus discípulos

Shankara viajava muito, ao mesmo tempo que estudava e escrevia. São descritos muitos debates que ele teria tido com defensores de outras linhas de pensamento, como do Budismo e da escola Purva Mimamsa. Tornou-se um importante mestre e faleceu com a idade de 32 anos.

Não se sabe exatamente quando ele nasceu ou morreu. Os estudos ocidentais costumam afirmar que ele viveu no século VIII ou IX d.C., mas há outras opiniões. Três das escolas filosóficas que seguem a tradição de Shankara (Kanchi, Dvaraka e Puri) afirmam que ele viveu de 509 a 477 a.C., enquanto uma quarta escola da tradição de Shankara afirma que ele viveu de 788 a 820 d.C. Não existem documentos que comprovem nenhuma dessas versões, no entanto.
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