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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site:
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Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad
Adi Shankaracharya

Apresentamos nesta página uma visão geral da vida e obra de Shankaracharya, e também sugerimos um filme indiano a respeito deste personagem, disponível na Internet.

SHANKARACHARYA

O "primeiro mestre Shankara" (Adi Shankaracharya) foi  um importante sábio indiano que parece ter vivido no século VIII ou IX d.C.  Foi um famoso filósofo da linha Vedanta Advaita (não dualista). Ele seguia a tradição dos Vedas e das Upanishads, tendo escrito comentários sobre dez delas e também um grande comentário ao Vedanta Sutra (também chamado Uttara Mimamsa Sutra ou Brahma Sutra) de Badarayana. É também autor de um comentário sobre o Bhagavad Gita. Além disso, são atribuídos a Shankaracharya diversos hinos religiosos, bem como outras obras menores. 

Os comentários de Shankaracharya possuem um estilo filosófico racional, enquanto seus hinos são de natureza mística. A influência de Shankara foi muito grande, não apenas por suas obras e pela sua vida, mas também por ter fundado instituições que duram até hoje.

Shankaracharya

VIDA

A biografia de Shankaracharya  é obscura. Os relatos existentes se baseiam em obras tradicionais, chamadas coletivamente Shankara Vijayams, que contêm muitas descrições de natureza lendária. Conta-se que os seus pais já tinham uma idade mais avançada e não tinham filhos. Fizeram então orações a Shiva, que apareceu diante deles e lhes deu duas opções: ou um filho medíocre que teria uma vida longa, ou um filho extraordinário que não viveria muito. O casal escolheu a segunda opção, e quando a criação nasceu recebeu o nome "Shankara" em homenagem a Shiva. "Shankara" é uma das formas tradicionais de se fazer referência ao deva Shiva. Significa, literalmente, auspicioso, benfazejo ou aquele que produz a prosperidade. 

De acordo com os relatos tradicionais, Shankara demonstrou sua capacidade intelectual de modo muito precoce, tendo dominado o conteúdo dos quatro Vedas com a idade de oito anos. Passou algum tempo como estudante religioso (Brahmachari), mas não se casou: adotou logo depois a vida de renunciante (Sannyasi), passando a viajar em peregrinação pela Índia. Nas margens do rio Narmada, encontrou Govinda Bhagavatpada, discípulo do filósofo Gaudapada. Govinda se tornou seu guru e o iniciou na linha do Advaita Vedanta.

Shankara viajava muito, ao mesmo tempo que estudava e escrevia. São descritos muitos debates que ele teria tido com defensores de outras linhas de pensamento, como do Budismo e da escola Purva Mimamsa. Tornou-se um importante mestre e faleceu com a idade de 32 anos. 

Shankaracharya

Não se sabe exatamente quando ele nasceu ou morreu. Os estudos ocidentais costumam afirmar que ele viveu no século VIII ou IX d.C., mas há outras opiniões. Três das escolas filosóficas que seguem a tradição de Shankara (Kanchi, Dvaraka e Puri) afirmam que ele viveu de 509 a 477 a.C., enquanto uma quarta escola da tradição de Shankara afirma que ele viveu de 788 a 820 d.C. Não existem documentos que comprovem nenhuma dessas versões, no entanto.

PENSAMENTO

Na época em que Shankara viveu, a tradição religiosa indiana mais antiga estava sendo atacada por outras correntes, como o Budismo e o Jainismo. Shankara enfatizou a importância dos Vedas e do Vedanta e ajudou a fortalecer  a tradição.

Baseando-se principalmente nas Upanishads, Shankara defendeu a concepção de que existe uma única realidade, que é o Absoluto (Brahman) e que está dentro de nós, sendo nosso Eu mais interno (Atman). Tudo aquilo que acreditamos existir, além dessa realidade única, é fruto da ignorância (avidya). 

Embora tenhamos sensações que indicam a existência de um mundo externo e de um corpo em que vivemos, essas coisas não seriam reais. A verdade única é a existência de Brahman, que está além do tempo, do espaço, da causalidade e de todas as dualidades que pensamos existir no universo, estando por isso fora do alcance das nossas categorias intelectuais e sendo incompreensível para a mente humana. No entanto, isso não significa que o pensamento seja inútil. Para distinguir a realidade da ilusão, é necessário desenvolver a discriminação (viveka), através do pensamento filosófico. Porém, para atingir Brahman e a libertação (moksha), é necessário transcender a mente e atingir a unificação com o Absoluto. E esse caminho exige, segundo ele, o desenvolvimento da devoção amorosa pela divindade (bhakti), assim como a superação das forças do ego. 

SEGUIDORES

Segundo a tradição, Shankara fundou quatro mathas ou monastérios ("matha", em sânscrito, significa literalmente uma cabana), associados aos quatro Vedas. Cada uma dessas escolas teria sido inicialmente dirigida por um dos quatro discípulos principais de Shankara: Sureshvaracharya, Hastamalakacharya, Padmapadacharya, e Totakacharya. 

São quatro as ordens religiosas que alegam ter sido fundadas por Shankara: em Sringeri, Dvaraka, Puri, Jyotirmath. O líder de cada uma delas recebe o título de Shankaracharya e por isso utiliza-se o nome Adi Shankaracharya para o primeiro Shankaracharya, fundador de todas elas.

Goverdhana Matha
Goverdhana Matha, Puri

UM FILME SOBRE ADI SHANKARACHARYA

Em 1983 foi lançado um filme sobre a vida de Adi Shankaracharya, dirigido por Ganapathi Venkatrama Iyer (1917-2003). O filme, produzido na Índia, é falado em sânscrito (uma novidade, na época) e tinha originalmente versões com legendas em hindi e inglês. Baseado nas obras de Shankaracharya e nas suas biografias tradicionais, o filme recebeu diversos prêmios, sendo considerado uma obra-prima da cinematografia indiana. Tem a duração de 2 horas e 40 minutos. Atualmente, este filme está disponível para ser assistido através do YouTube, com legendas em inglês: 
http://youtu.be/PJvNLhCXUmw 

INFORMAÇÕES SOBRE O FILME:

Baseado na vida de um dos maiores pensadores indianos, Adi Shankarcharya é uma conquista impressionante nos anais do cinema mundial. É também o primeiro filme já feito na língua sânscrita clássica. O mesmo diretor, Ganapathi Venkatrama Iyer, fez, posteriormente, outros filmes sobre temas espirituais indianos, incluindo um sobre o Bhagavad Gita, também falado em sânscrito.

Ganapathi Venkatrama Iyer

Ganapathi Venkatrama Iyer

Por volta do século VIII, o hinduísmo estava em uma situação de acelerada decadência, devido a profusão de outras crenças e doutrinas como o Budismo. É neste cenário que Shankaracharya nasceu. Seu pai era praticante do Brahmanismo. Após a morte de seu pai, o jovem Shankara foi levado a refletir sobre conceitos tais como a vida e a morte, o corpo e a alma por meio de textos filosóficos. Na busca da ampliação de seus conhecimentos, ele renunciou ao mundo e partiu em uma jornada tendo a morte e a sabedoria como companheiros. No caminho, ele escreveu vários comentários que mudaram a forma como a humanidade considera a religião, integrando as noções de um ser interior e um ser superior, dando origem ao conceito da não-dualidade. 

Acompanhado por uma roteiro baseado nos Vedas indianos, o filme acaba sendo tanto uma experiência cinematográfica como uma profunda jornada mental. "Adi Shankaracharya" recebeu merecidamente o prêmio nacional da Índia como Melhor Longa-Metragem, Melhor Cinematografia, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro.

Roteirista: Benanjaya Godvincharya. 

Elenco: Sarvadaman D. Banerjee, M.V. Narayana Rao, Manjunath Bhatt, Leela Narayana Rao, L.V. Sharada Rao, Bharat Bhushan, T.S. Nagabharana, Srinivasa Prabhu, Gopal.


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