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EU SOU
Flávia Bianchini
Satyananda Svarupini (Flávia). Sou Instrutora de Kundalini Yoga e Artista Plástica. Coordeno o espaço Shri Yoga Devi onde ministro aulas de Yoga. Veja o site:
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Maha Devi
"Do meu Poder tudo brota,
Por meu Poder tudo se sustenta,
Por meu Poder tudo se dissolve.
Eu sou este Brahman sem dualidades."
Kaivalya Upanisad
Kundalini, segundo Sivananda

Os trechos abaixo foram traduzidos do livro “Kundalini Yoga”, de Sri Swami Sivandanda, publicado por The Divine Life Society, Uttar Pradesh (India), 1994 (10ª edição). A obra completa, em inglês, está disponível em formato PDF neste link: http://www.dlshq.org/download/kundalini.pdf.

KUNDALINI E YOGA

A palavra Kundalini é familiar a todos os estudantes de Yoga, pois é bem conhecida como o poder, sob a forma de uma serpente enrolada, que reside no Muladhara Chakra, o primeiro dos sete chakras, sendo os outros seis, Svadhishthana, Manipura, Anahata, Vishuddha, Ajna e Sahasrara.

Os sete chakras

Todos os Sadhanas – na forma de Japa, meditação, Kirtan e oração, bem como todo o desenvolvimento das virtudes, a observância de austeridades como a verdade, não-violência e a continência – são calculadas apenas para, na melhor das hipóteses, despertar a força serpentina e fazê-la passar por todos os chakras sucessivamente, começando do Svadhishthana até o Sahasrara. Este último também é chamado de lótus de mil pétalas, assento de Sadashiva, de Paramatma, ou do Absoluto. A Kundalini (ou a Shakti) reside separada dele (Shiva) no Muladhara. A Kundalini passa por todos os Chakras com o objetivo de unir-se a ele, como já foi explicado acima, conferindo a libertação ao aspirante que pratica assiduamente o Yoga ou a técnica de unir a Kundalini com o seu Senhor, e que também obtém sucesso com o seu esforço. 

Shiva e Parvati (Shakti)

Nas pessoas de mentalidade mundana, entregues aos prazeres sensuais e sexuais, este poder da Kundalini está adormecido por ausência de todo estimulo sob a forma de práticas espirituais pois só a energia gerada por aquelas práticas – e nenhuma outra força derivada da posse de riquezas e abundância mundana – desperta a esse poder serpentino. Quando o aspirante pratica seriamente todas as disciplinas recomendadas nos Shastras, e obedece as instruções do seu mestre – em quem a Kundalini já teria sido despertada e atingido sua morada com Sadashiva, adquirindo assim a realização abençoada que lhe permite atuar como um Guru ou preceptor espiritual, orientando e ajudando os outros para que também atinjam o mesmo fim – os véus ou camadas que prendiam a Kundalini começam a ser rasgados e, finalmente, se desprendem por completo, e o poder serpentino é empurrado ou conduzido, por assim dizer, de forma ascendente. 

Aparecem visões supersensuais diante do olho mental do aspirante, novos mundos de prodígios e encantos indescritíveis se desdobram perante o Yogi, planos após planos revelam sua existência e grandeza ante o praticante, e o Yogi atinge conhecimento, poder e beatitude divinos, em graus crescentes, quando a Kundalini passa de um Chakra ao outro, fazendo com que eles se abram em seu esplendor; antes do contato com a Kundalini, eles não manifestam seus poderes de emanar sua luz e sua fragrancia divinas, nem revelam os segredos e fenômenos divinos, que se ocultam aos olhos das pessoas de mentalidade mundana que se recusariam a acreditar até mesmo em sua existência. 

Ativação dos chakras por Kundalini

Quando a Kundalini sobe um chakra ou centro de Yóguico, o Yogi também sobe um passo ou degrau para cima na escada do Yoga, lê mais uma página do livro divino, a página seguinte; quanto mais a Kundalini ascende, mais o Yogi avança também para a meta ou perfeição espiritual em relação a ela. Quando a Kundalini chega ao sexto centro ou o Chakra Ajna, o Yogi obtém a visão do Deus pessoal ou Saguna Brahman, e quando a força serpentina chega ao último centro supremo, o Sahasrara Chakra, ou lótus de mil pétalas, o Yogi perde sua individualidade no oceano de Sat-Chit-Ananda ou Existência-Conhecimento-Felicidade e se unifica com o Senhor ou a Alma Suprema. Ele deixa de ser um homem comum, não é mais um simples Yogi, mas sim um sábio plenamente iluminado, tendo conquistado o reino divino eterno e ilimitado, um herói que ganhou a batalha contra a ilusão, um Mukta ou liberto que atravessou o oceano de ignorância ou a existência transmigratória, é um super-homem com a autoridade e capacidade para salvar do mundo relativo as demais almas que lutam. As escrituras o aclamam, glorificando-o e a sua realização o máximo possível. Os seres celestes o invejam, sem excluir sequer a Trindade, ou seja, Brahma, Vishnu e Shiva.

A serpente Kundalini

A IMPORTÂNCIA DE KUNDALINI YOGA

Em Kundalini Yoga, a Shakti criadora e sustentadora de todo o corpo está real e verdadeiramente unida com o Senhor Shiva. O Yogi pede para que ela o apresente ao seu Senhor Shiva. O despertar da Kundalini Shakti e sua união com o Senhor Shiva concretiza o estado de Samadhi (União Extática) e de Anubhava (experiência) espiritual. É Ela que dá o conhecimento ou Jñana, pois Ela mesma é isso. A própria Kundalini, quando despertada pelos yogis, concede-lhes a Jñana (iluminação). 

A Kundalini pode ser despertada por vários meios e esses métodos diferentes são chamados por diferentes nomes, como por exemplo: Raja Yoga, Hatha Yoga, etc. Quem pratica este Kundalini Yoga afirma que é superior a qualquer outro processo e que o Samadhi alcançado com ele é mais perfeito. Esta é a razão que que eles alegam: no Dhyana Yoga, o êxtase ocorre através do desprendimento do mundo e da concentração mental que leva à operação mental variada (Vritti) até o surgimento da consciência pura, sem o estorvo das limitações da mente. 

O grau no qual se efetiva este desvelar da consciência depende da força da meditação, da Dhyana Shakti do Sadhaka e do o grau de desapego do mundo. Por outro lado, a Kundalini que é toda Shakti e em consequencia é Jñana Shakti, confere Jñana e Mukti quando os Yogis a despertam. Em segundo lugar, em Kundalini Yoga não há meramente um Samadhi através da meditação, mas o poder central do Jiva carrega consigo as formas do corpo e da mente. Afirma-se que a união, nesse sentido, é mais completa que a estabelecida através de outros métodos. Embora em ambos os casos se perca a consciência do corpo, em Kundalini Yoga não só a mente mas também o corpo (na medida em que é representado pelo sua força central) se une realmente ao Senhor Shiva no Chakra Sahasrara. Essa união (Samadhi) produz Bhukti (gozo) que um Dhyana Yogi não possui. Um Kundalini Yogi tem tanto Bhukti (gozo) quanto Mukti (libertação), no sentido mais pleno e literal. 

Transcendência pelo Kundalini Yoga

Assim, afirma-se que este Yoga é o principal de todos os Yogas. Quando os kriyas yoguicos despertam a Kundalini adormecida, esta força a passagem para cima através dos diferentes chakras (Shat-Chakra Bheda). Ela os excita e estimula para que entrem em atividade intensa. Durante sua ascensão, abre-se plenamente camada após camada da mente. Desaparecerão todos os kleshas (aflições) e os três tipos de Tapas. O Yogi experimenta diversas visões, poderes, felicidade e conhecimento. Quando chega ao Sahasrara Chakra, no cérebro, o iogue obtém o máximo de conhecimento, felicidade, poder e Siddhis. Ele atinge o mais alto degrau na escada do Yoga. Ele se separa perfeitamente do corpo e da mente. Ele se torna livre em todos os aspectos. É um Yogi plenamente desenvolvido (Purna Yogi).

KUNDALINI E O SADHANA TÂNTRICO

O Kundalini Yoga pertence realmente ao Sadhana Tântrico, que descreve minuciosamente o poder serpentino e os Chakras, como mencionado acima. A Mãe Divina, o aspecto ativo da Existência - Conhecimento - Bem-aventurança  Absolutos, reside no corpo de homens e mulheres sob a forma de Kundalini, e todo o Sadhana Tântrico visa o despertar dela, e fazê-la unir-se com o Senhor, Sadashiva, no Sahasrara, conforme descrito no início em detalhes. Os métodos no Sadhana Tântrico adotados para alcançar este fim são: Japa (repetição) dos nomes da Mãe, orações e vários rituais.

KUNDALINI E HATHA YOGA

O Hatha Yoga também estrutura também a sua filosofia em torno desta Kundalini, e os métodos adotados nele são diferentes do Sadhana Tântrico. O Hatha Yoga visa despertar a Kundalini através da disciplina do corpo físico, pela purificação das Nadis e pelo controle do Prana. Através de uma série de posturas físicas chamadas de Yoga Asanas, tonifica todo o sistema nervoso, e o coloca sob o controle consciente do Yogi; através dos Bandhas e Mudras controla o Prana, regula seus movimentos e até mesmo o bloqueia e sela sem permitir que se mova; através dos Kriyas purifica os órgãos internos do corpo físico e, finalmente, através dos Pranayama, coloca a própria mente sob o controle do Yogi. Faz-se a Kundalini subir até o Sahasrara através destes métodos combinados.

KUNDALINI E RAJA YOGA

O Raja Yoga não menciona nada sobre a Kundalini, mas propõe um caminho tranqüilo, sutil e superior, filosófico e racional, e pede ao aspirante que controle a sua mente, recolha os sentidos e mergulhe na meditação. Ao contrário de Hatha Yoga, que é mecânico e místico, Raja Yoga ensina uma técnica com oito membros, apelando para o coração e o intelecto dos aspirantes. Ele defende o desenvolvimento moral e ético através de seus Yama e Niyama, ajuda o desenvolvimento intelectual e cultural através Svadhyaya ou estudo das escrituras sagradas, satisfaz os aspectos emocional e devocional da natureza humana ordenando-lhe entregar-se à vontade do Criador, tem um elemento do místico incluindo Pranayama como um dos oito membros e, finalmente, prepara o aspirante para a meditação ininterrupta sobre o Absoluto mediante um passo penúltimo de concentração. 

Meditação - Raja Yoga

Nem na sua filosofia, nem na sua prescrição de métodos, o Raja Yoga faz referência a Kundalini, mas coloca a mente humana e a Chitta como alvos a serem destruídos, pois só elas fazem com que a alma individual esqueça a sua verdadeira natureza, provocando o nascimento e a morte e todas as aflições da existência fenomênica.

KUNDALINI E VEDANTA

Mas quando chegamos ao Vedanta, nada se fala sobre a Kundalini ou qualquer tipo de método místico e mecânico. Ele é totalmente indagação e especulação filosófica. De acordo com o Vedanta, a única coisa a ser destruída é a ignorância sobre nossa natureza real, e essa ignorância não pode ser destruída pelo estudo ou com Pranayama, nem com ações, nem com quantidade alguma de torções e torturas físicas, senão unicamente mediante o conhecimento de nossa verdadeira natureza, que é Sat-Chit-Ananda ou Existência-Conhecimento-Felicidade. O homem é sempre divino, livre e Um com o Espírito Supremo, mas ele se esquece e se identifica com a matéria, que é uma aparência ilusória e sobreposta ao espírito. A libertação é libertar-se da ignorância, e o aspirante é aconselhado a se separar constantemente de todas as limitações e se identificar com o espirito ou Brahman que penetra tudo, Único, bem aventurado, pacífico, e homogêneo. 

Quando se intensifica a meditação, o aspirante perde sua individualidade no oceano da existência, ou melhor, a individualidade é apagada completamente. Assim como uma gota de água colocada em uma frigideira se evapora ou explode totalmente, a consciência individual se dissolve na Consciência Universal e é absorvida na mesma. De acordo com o Vedanta não pode haver verdadeira liberação em um estado de multiplicidade, e o estado de completa unidade é a meta a ser aspirada, e a única para o qual toda a criação inteira se move lentamente. 

SOBRE O AUTOR

Swami Sivananda Saraswati nasceu em Pattamadai, Índia, no dia 8 de setembro de 1887 e faleceu em 14 de julho de 1963. Chamado de Shivananda ou Sivananda, foi um líder espiritual indiano de grande influência. 

Seu pai, P.S. Vengu Iyer, foi um oficial do governo e um sacerdote do hinduísmo (bramânico). Inicialmente, Sivananda seguiu a carreira da Medicina, trabalhando durante vários anos como médico antes de se dedicar ao trabalho espiritual. 

Swami Sivananda

Em 1923 desistiu das suas posses, e passou um ano em peregrinação pelos lugares sagrados da Índia antes de ir para Rishikesh. Ali ele foi batizado pelo guru Swami Viswananda Saraswati como Swami Shivananda Saraswati. Viveu em uma choupana demolida nas proximidades do ashram de Viswananda, praticou uma vida austera e meditação, e trabalhou como médico cuidando das doenças dos gurus e peregrinos. Desde então, viveu a maior parte de sua vida perto de Muni Ki Reti, em Rishikesh (região do Himalaia). 

Sua fama se espalhava. Ele viajou por toda a Índia ensinando, e na sua volta em 1932 fundou o Shivananda Ashram. No principio ele era um velho celeiro para o gado que ele chamou de Ananda Kutir, morada da felicidade. Discípulos se reuniram e outros celeiros de gado foram construídos e se tornaram habitáveis.

Ashram de Sivananda

Sivananda escreveu mais de 200 livros sobre yoga, vedanta e outros assuntos associados à espiritualidade indiana. Fundou a Divine Life Society (em 1936) e a Yoga-Vedanta Forest Academy (em 1948), onde foram treinados centenas de importantes professores de yoga. Seu ashram, que foi a sede da Divine Life Society, fica nas margens do rio Ganges em Shivanandanagar, a 3 km de Rishikesh. Essa sociedade continua a coordenar os ashrans criados por Sivananda.

Após a morte de Swami Shivananda em 1963, Swami Chidananda tornou-se presidente da Divine Life Society e promoveu sua rápida ampliação para o ocidente.

Swami Sivananda tocando tampura


Espaço de yoga Shri Yoga Devi
Campina Grande, Paraíba
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